terça-feira, 20 de outubro de 2026
SEGURANÇA

A execução do orçamento de segurança pode ganhar uma frente voltada à formação feminina

A proposta altera as regras de aplicação do Fundo Nacional de Segurança Pública para incluir cursos gratuitos de defesa pessoal voltados a mulheres entre as ações financiáveis. O texto ainda depende da tramitação e da aprovação no Congresso.
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Um projeto em análise na Câmara dos Deputados prevê uma mudança na destinação do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) para incluir cursos gratuitos de defesa pessoal voltados a mulheres. Pela proposta, 1% dos recursos do fundo deverá ser aplicado nessa finalidade.

A medida altera a forma como o dinheiro federal destinado à segurança pública poderá ser executado. O objetivo previsto no texto é incorporar a capacitação de mulheres às ações de prevenção da violência, sem transformar os cursos em uma despesa obrigatória já disponível.

Como se trata de uma proposta em tramitação, a reserva ainda depende da análise legislativa e da aprovação nas etapas previstas no Congresso Nacional.

O que está previsto

O projeto estabelece uma parcela específica do Fundo Nacional de Segurança Pública para financiar cursos gratuitos de defesa pessoal para mulheres. A previsão é que 1% dos recursos do fundo seja direcionado a essa finalidade.

Na prática, a mudança cria uma destinação vinculada dentro das regras de aplicação do fundo. O texto passa a reconhecer a formação em defesa pessoal como uma possível ação financiada com recursos federais da segurança pública.

A proposta não representa, por si só, a liberação imediata de dinheiro para as participantes nem determina o início automático das aulas. Para que os cursos sejam oferecidos, ainda será necessário cumprir as regras de tramitação, aprovação e execução orçamentária aplicáveis ao fundo.

Prevenção como eixo da medida

A justificativa da proposta associa o treinamento à prevenção da violência contra mulheres. A ideia é ampliar o acesso a conhecimentos que possam ajudar as participantes a identificar situações de risco e a reagir diante de uma ameaça.

O texto trata a defesa pessoal como uma frente preventiva dentro da política de segurança pública. Essa abordagem amplia o conjunto de ações que podem receber recursos do fundo, que passaria a contemplar também uma iniciativa de capacitação diretamente direcionada às mulheres.

A previsão, contudo, não substitui as demais políticas de proteção e enfrentamento à violência. Cursos de defesa pessoal não eliminam a necessidade de serviços de atendimento, investigação, medidas protetivas e outras ações públicas voltadas à segurança e aos direitos das mulheres.

Como funciona o fundo

O Fundo Nacional de Segurança Pública é um mecanismo federal de financiamento de ações relacionadas à segurança pública. Seus recursos podem ser empregados conforme as regras legais e os programas definidos para a área.

Ao propor uma reserva de 1%, o projeto busca estabelecer uma finalidade própria dentro da aplicação do fundo. A mudança depende da alteração das normas que orientam o uso dos recursos e da definição dos procedimentos necessários para colocar a medida em prática.

O percentual seria destinado aos cursos previstos no texto, mas a proposta não significa que cada mulher teria direito automático a uma vaga. A oferta dependeria da execução dos programas, da organização das atividades e dos critérios que vierem a ser definidos pelos órgãos responsáveis.

Quem poderá participar

O projeto é voltado a mulheres, mas a matéria-base não detalha, nesta etapa, critérios nacionais de inscrição, faixa etária, quantidade de vagas, formato das aulas ou calendário de atendimento.

Também não há, na proposta apresentada, informação sobre a distribuição dos cursos entre estados e municípios, a periodicidade das atividades ou o modelo de contratação dos instrutores. Esses pontos poderão ser definidos posteriormente, caso a alteração legal seja aprovada e regulamentada.

Por isso, a previsão de recursos deve ser diferenciada da oferta efetiva do serviço. A aprovação do texto abriria uma possibilidade de financiamento, mas a realização dos cursos dependeria de decisões administrativas e da execução dos recursos destinados ao programa.

Tramitação ainda precisa avançar

O projeto ainda está sujeito ao processo legislativo. Antes de produzir efeitos, a proposta precisa ser analisada conforme as regras da Câmara dos Deputados e, se aprovada, seguir para as demais etapas previstas no Congresso Nacional.

Durante a tramitação, o texto pode ser discutido, alterado ou rejeitado. Eventuais mudanças também podem atingir o percentual reservado, a forma de execução dos cursos ou as condições para o uso dos recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública.

Enquanto não houver aprovação definitiva e as providências administrativas necessárias, não há garantia de que os cursos serão oferecidos nem de que a reserva de 1% será efetivamente aplicada.

Impacto esperado pela proposta

O efeito pretendido é criar uma fonte específica de recursos para ampliar o acesso de mulheres a atividades gratuitas de defesa pessoal. A vinculação de uma parcela do fundo busca evitar que essa finalidade dependa apenas de programas eventuais ou de decisões isoladas de execução orçamentária.

O projeto também insere a capacitação feminina no debate sobre o uso de recursos federais para prevenção. A iniciativa parte da avaliação de que políticas de segurança podem incluir medidas voltadas não apenas à resposta a crimes, mas também à preparação da população diante de situações de violência.

O alcance da medida, no entanto, dependerá do volume de recursos disponível, da forma como a parcela será distribuída e da capacidade de implementação dos programas. Esses aspectos não são detalhados na proposta apresentada na matéria-base.

O texto foi divulgado pela Agência Câmara de Notícias.