segunda-feira, 28 de setembro de 2026
SAÚDE

Saúde dos idosos: cuidados importantes no cotidiano

Saúde dos idosos depende de cuidados diários que envolvem alimentação, movimento, vacinação, segurança em casa, uso correto de medicamentos, saúde bucal e acompanhamento regular no SUS.

A saúde dos idosos depende de uma combinação de cuidados simples e contínuos. Alimentação adequada, atividade física, vacinação, acompanhamento de doenças crônicas, prevenção de quedas e uso seguro de medicamentos ajudam a preservar a autonomia e a qualidade de vida.

No Brasil, é considerada pessoa idosa aquela com 60 anos ou mais. O envelhecimento não deve ser associado apenas à presença de doenças. A avaliação também precisa considerar mobilidade, memória, visão, audição, saúde emocional, alimentação, relações sociais e capacidade de realizar as atividades do dia a dia.

O cuidado deve ser individualizado. Uma orientação adequada para uma pessoa pode não ser indicada para outra, especialmente quando há doenças crônicas, limitações físicas, uso de vários medicamentos ou necessidade de acompanhamento especializado. Em caso de dúvida, a recomendação é procurar a equipe de saúde de referência.

1. Mantenha o acompanhamento de saúde em dia

Consultas regulares ajudam a acompanhar a pressão arterial, a glicemia, o peso, a visão, a audição, a saúde bucal, a vacinação e a evolução de doenças já conhecidas. Também permitem identificar mudanças que podem passar despercebidas no início, como perda de força, dificuldade para caminhar, alterações de memória, tristeza persistente ou perda de apetite.

A Unidade Básica de Saúde é uma das principais portas de entrada do Sistema Único de Saúde. A pessoa idosa deve informar à equipe todos os sintomas novos, mesmo quando parecem leves, além de levar receitas, exames e a lista dos medicamentos utilizados.

A Caderneta Brasileira da Pessoa Idosa pode ajudar a organizar informações clínicas, vacinas, consultas, hábitos de vida e medicamentos. O documento também reúne orientações de autocuidado e pode facilitar a comunicação entre a pessoa idosa, familiares, cuidadores e profissionais.

2. Adote uma alimentação variada e adequada

A alimentação deve fornecer energia e nutrientes sem perder de vista o prazer de comer. Sempre que possível, a rotina deve priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, feijão, arroz, ovos, carnes, peixes, leite e outros alimentos adequados às necessidades de cada pessoa.

É recomendável reduzir o consumo de refrigerantes, biscoitos recheados, salgadinhos, macarrão instantâneo, embutidos e outros ultraprocessados. Também é importante moderar o uso de sal, açúcar e gorduras, principalmente quando há hipertensão, diabetes ou alterações no colesterol.

Beber água regularmente é importante, inclusive quando a sensação de sede é menor. A quantidade adequada varia de acordo com a saúde de cada pessoa. Quem tem restrição de líquidos por orientação médica não deve alterar o consumo sem conversar com a equipe responsável.

Comer devagar e, quando possível, em companhia pode melhorar a aceitação das refeições e reduzir o isolamento. Dificuldades para mastigar, engolir, sentir sabores ou preparar os alimentos devem ser comunicadas aos profissionais de saúde. A página do Ministério da Saúde sobre alimentação saudável reúne recomendações gerais para essa fase da vida.

3. Faça atividade física com segurança

O movimento regular contribui para a força muscular, o equilíbrio, a disposição, o sono e a autonomia. Caminhar, dançar, fazer exercícios de alongamento, praticar atividades na água ou participar de exercícios orientados são possibilidades, desde que compatíveis com as condições de saúde da pessoa.

Para quem está parado há muito tempo, o ideal é começar devagar, com atividades leves e períodos curtos, aumentando gradualmente conforme a tolerância. Roupas confortáveis, calçados firmes, hidratação e proteção contra o sol são cuidados importantes. Atividades ao ar livre devem ser realizadas, de preferência, em horários mais frescos.

Dor intensa, falta de ar fora do habitual, tontura, palpitação ou mal-estar durante o exercício exigem interrupção da atividade e avaliação profissional. Pessoas com doenças cardíacas, pulmonares, neurológicas ou limitações importantes devem receber orientação individual antes de iniciar ou aumentar o esforço.

O Ministério da Saúde destaca que a atividade física regular ajuda a manter a independência e pode reduzir o risco de quedas, enquanto o sedentarismo está associado a doenças crônicas e perda funcional.

4. Previna quedas dentro e fora de casa

Quedas podem causar fraturas, traumatismos e perda de confiança para caminhar. Por isso, todo episódio deve ser informado à família e à equipe de saúde, mesmo quando não há ferimentos aparentes. Quedas repetidas podem indicar alterações de visão, equilíbrio, força muscular, pressão, marcha ou efeitos de medicamentos.

Para tornar o ambiente mais seguro, mantenha os corredores livres, retire fios e objetos espalhados, fixe ou remova tapetes soltos, melhore a iluminação e instale barras de apoio quando necessário, especialmente no banheiro. Evite andar em pisos molhados e não encere o chão.

O uso de calçados fechados, confortáveis e com sola firme ajuda a reduzir o risco de escorregões. À noite, uma luz de apoio pode facilitar o caminho até o banheiro. Escadas devem ter corrimão e, quando houver dificuldade de locomoção, bengala, andador ou outro dispositivo deve ser utilizado somente com orientação profissional.

Fora de casa, é importante aguardar o ônibus parar completamente antes de embarcar ou desembarcar e atravessar a rua na faixa de pedestres. Orientações adicionais estão disponíveis na área de saúde da pessoa idosa do Ministério da Saúde.

5. Use medicamentos de forma segura

Com o envelhecimento, o organismo pode ficar mais sensível aos efeitos dos medicamentos. O uso de cinco ou mais medicamentos de forma regular é chamado de polifarmácia e exige acompanhamento cuidadoso, pois aumenta a possibilidade de interações, efeitos adversos, tontura e quedas.

Nunca interrompa, altere a dose ou reutilize uma receita por conta própria. A pessoa idosa deve informar à equipe todos os produtos utilizados, incluindo medicamentos sem receita, chás, vitaminas, suplementos e fitoterápicos. Produtos considerados naturais também podem interferir no tratamento.

Manter os medicamentos nas embalagens originais ajuda a conferir o nome, a validade e a forma correta de uso. Eles devem ficar em local seco, fresco, protegido da luz e fora do alcance de crianças e animais. Alarmes, tabelas ou organizadores podem ajudar, mas não substituem a conferência da prescrição.

Em consultas, leve a lista atualizada dos medicamentos e relate sintomas como sonolência excessiva, confusão, tremores, tontura, fraqueza ou quedas. O Ministério da Saúde orienta sobre o uso seguro de medicamentos e reforça a importância do acompanhamento profissional.

6. Mantenha a vacinação atualizada

As vacinas ajudam a prevenir doenças graves e suas complicações. A pessoa idosa deve verificar o Cartão de Vacinas e seguir o Calendário Nacional de Vacinação, levando em conta o histórico vacinal e as orientações do serviço de saúde.

O calendário de 2026 para pessoas a partir de 60 anos inclui vacinas como hepatite B, difteria e tétano, influenza e covid-19, além de indicações específicas para outros imunizantes conforme a situação clínica, o histórico de vacinação, o local de residência ou a condição de saúde.

A influenza é indicada anualmente, de acordo com a vacina da temporada. Para a covid-19, o calendário nacional de 2026 prevê uma dose semestral para idosos. Essas orientações podem ser atualizadas, por isso é importante consultar a unidade de saúde ou o Calendário Nacional de Vacinação.

A ausência do cartão não deve impedir a busca pelo serviço de vacinação. A equipe pode verificar os registros disponíveis e orientar sobre as doses necessárias.

7. Cuide da saúde bucal

A saúde da boca influencia a mastigação, a alimentação, a fala, a autoestima e o bem-estar. A escovação deve ser feita diariamente com escova de cerdas macias e creme dental com flúor. O fio dental ajuda a remover resíduos entre os dentes e deve ser usado conforme a capacidade da pessoa.

Quem usa prótese precisa higienizá-la fora da boca, retirar o dispositivo para dormir e observar se há folgas, feridas ou dor. Próteses mal adaptadas podem dificultar a mastigação e provocar lesões.

Sangramento gengival, dentes ou implantes amolecidos, inchaço, dor, manchas, mau cheiro persistente e feridas que não cicatrizam devem ser avaliados por um profissional. A boca seca também merece atenção, pois pode estar relacionada ao envelhecimento ou ao uso de medicamentos. Informações sobre atendimento podem ser obtidas na unidade de saúde e na equipe de saúde bucal do SUS.

8. Preserve a saúde mental e os vínculos sociais

Convivência, lazer, leitura, música, atividades culturais, participação comunitária e contato com familiares ou amigos podem contribuir para a saúde emocional. O isolamento, a tristeza persistente, a perda de interesse por atividades habituais, alterações importantes do sono ou do apetite e a sensação de incapacidade devem ser comunicados à equipe de saúde.

Também é importante respeitar as escolhas da pessoa idosa e estimular sua participação nas decisões sobre rotina, alimentação, tratamentos e cuidados. A ajuda de familiares ou cuidadores deve favorecer a autonomia, e não substituir atividades que a pessoa ainda consegue realizar com segurança.

9. Saiba quando procurar atendimento rapidamente

Alguns sinais exigem avaliação imediata, como dor ou pressão no peito, falta de ar intensa, desmaio, confusão súbita, fraqueza em um lado do corpo, dificuldade repentina para falar, queda com suspeita de fratura ou sangramento importante.

Em situações de emergência, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência pode ser acionado pelo telefone 192. Em caso de dúvida, não ofereça medicamentos por conta própria nem tente movimentar uma pessoa que possa ter sofrido fratura ou trauma grave. Procure orientação profissional.

Em idosos, problemas graves nem sempre aparecem com os sinais mais conhecidos. Um mal-estar súbito, uma mudança inesperada no comportamento ou uma perda rápida de capacidade para caminhar também devem ser valorizados. O atendimento precoce pode ser decisivo.

10. Organize uma rotina de cuidados

Uma rotina simples pode facilitar a prevenção. Confira regularmente os horários dos medicamentos, o consumo de água, as refeições, a atividade física, o calendário de vacinas e a segurança do ambiente. Registre sintomas novos, quedas, mudanças de apetite, dificuldades de memória ou alterações na marcha para relatar nas consultas.

O cuidado com a saúde dos idosos deve envolver a própria pessoa, familiares, cuidadores e profissionais. Mais do que tratar doenças, o objetivo é preservar a independência, reduzir riscos e garantir que o envelhecimento ocorra com segurança, respeito e qualidade de vida.

Importante: este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento individualizado. Em caso de sintomas ou dúvidas sobre medicamentos, procure um profissional de saúde.