Os sinais de desidratação podem surgir quando o corpo perde mais água e sais minerais do que consegue repor. Em dias quentes, a transpiração intensa, a exposição prolongada ao sol, a prática de exercícios e episódios de vômito ou diarreia aumentam esse risco.
Os primeiros indícios costumam ser sede, boca seca, cansaço, dor de cabeça, tontura e redução da urina. Se o quadro evoluir, podem aparecer fraqueza intensa, confusão mental, desmaio, pulso acelerado e dificuldade para beber líquidos. Esses sintomas exigem avaliação rápida, porque a desidratação pode estar associada a condições mais graves relacionadas ao calor.
O Ministério da Saúde orienta que a população beba água regularmente, mesmo sem sentir sede, mantenha os ambientes frescos e reduza a exposição ao sol nos horários mais quentes. (gov.br)
Quais são os primeiros sinais de desidratação?
A sede é um dos sinais mais conhecidos, mas não deve ser o único parâmetro observado. Em algumas situações, principalmente entre idosos, crianças pequenas e pessoas doentes, a percepção de sede pode ser reduzida ou aparecer apenas quando a perda de líquidos já é significativa.
Os sinais mais comuns de desidratação incluem:
- sede intensa ou aumento incomum da vontade de beber água;
- boca, língua e lábios secos;
- urina em menor quantidade;
- urina mais escura e concentrada;
- cansaço, fraqueza ou sonolência;
- dor de cabeça;
- tontura, especialmente ao se levantar;
- pele seca;
- cãibras musculares;
- batimentos cardíacos acelerados;
- irritabilidade ou dificuldade de concentração.
A redução da urina é um sinal importante para acompanhar. No entanto, a cor da urina pode variar por outros motivos, incluindo o uso de alguns medicamentos e a ingestão de determinados alimentos. Por isso, ela deve ser observada junto com os demais sintomas, e não usada isoladamente para fazer um diagnóstico.
Como reconhecer a desidratação em crianças e bebês
Crianças pequenas podem perder líquidos rapidamente, sobretudo quando estão com febre, vômitos, diarreia ou expostas ao calor por muito tempo. Bebês também dependem dos adultos para receber água, leite materno ou a solução indicada por um profissional de saúde.
Entre os sinais que merecem atenção estão:
- choro sem lágrimas;
- boca e língua secas;
- pouca urina ou fraldas que permanecem secas por mais tempo que o habitual;
- olhos fundos;
- irritabilidade, sonolência ou dificuldade para acordar;
- moleira afundada em bebês;
- recusa persistente de líquidos;
- vômitos repetidos ou diarreia.
O Ministério da Saúde considera que olhos fundos, ausência de lágrimas, boca seca, sede intensa e alterações no estado geral podem fazer parte da avaliação do estado de hidratação. A presença de dois ou mais sinais deve ser avaliada por um profissional, especialmente quando um deles é considerado grave. (gov.br)
Não é recomendado oferecer medicamentos por conta própria nem preparar soluções caseiras com quantidades improvisadas de sal e açúcar. Em casos de vômitos ou diarreia, a solução de reidratação oral deve ser preparada e administrada conforme as orientações da embalagem ou de um profissional de saúde.
Sinais de alerta durante ondas de calor
Nem todo mal-estar em um dia quente é apenas uma desidratação leve. A exposição prolongada ao calor pode provocar exaustão térmica e insolação, situações que exigem cuidados diferentes e podem evoluir rapidamente.
Procure atendimento médico com urgência diante de:
- confusão mental, desorientação ou comportamento incomum;
- desmaio;
- convulsão;
- fraqueza intensa ou dificuldade para permanecer em pé;
- vômitos persistentes;
- respiração acelerada;
- pulso muito rápido ou fraco;
- pele muito quente, especialmente quando a transpiração diminui;
- temperatura corporal muito elevada;
- incapacidade de beber ou de manter líquidos no estômago.
A confusão mental, a perda de consciência e as convulsões são sinais de gravidade associados ao golpe de calor. Nessa situação, o atendimento deve ser imediato, pois a condição pode causar danos ao cérebro, ao coração, aos rins e aos músculos. (gov.br)
O que fazer ao perceber sintomas leves
Ao identificar sinais iniciais, interrompa a atividade e leve a pessoa para um local fresco, ventilado e protegido do sol. Retire o excesso de roupas e ofereça água em pequenos goles, desde que ela esteja consciente, orientada e consiga engolir.
Também é possível resfriar o corpo com toalhas umedecidas em água fresca, principalmente na testa, no pescoço e no tronco. Evite cobrir o rosto, para não dificultar a respiração. Em São Paulo, a Secretaria de Estado da Saúde recomenda oferecer água apenas quando a pessoa estiver consciente e falando. Em caso de desmaio, não ofereça líquidos pela boca e procure atendimento de urgência. (saude.sp.gov.br)
Se os sintomas não melhorarem rapidamente, se houver piora ou se a pessoa fizer parte de um grupo mais vulnerável, procure uma unidade de saúde. A avaliação clínica é necessária para definir o grau de desidratação e o tratamento adequado.
Quando chamar o Samu
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, o Samu, pode ser acionado pelo número 192 em situações de emergência. A ligação é indicada quando há desmaio, confusão mental, convulsão, dificuldade para respirar, incapacidade de beber, piora rápida do estado geral ou suspeita de golpe de calor.
Enquanto aguarda o atendimento, mantenha a pessoa em local fresco, afrouxe roupas apertadas e tente reduzir a temperatura corporal com água fresca ou panos úmidos. Não force a ingestão de água, bebidas esportivas ou qualquer outro líquido se a pessoa estiver desacordada, muito sonolenta, confusa ou com dificuldade para engolir.
Quem precisa de atenção redobrada
Qualquer pessoa pode sofrer com o calor excessivo, mas alguns grupos apresentam maior risco de desidratação e complicações:
- bebês e crianças pequenas;
- pessoas idosas;
- gestantes;
- pessoas com doenças cardíacas, renais, respiratórias ou circulatórias;
- pessoas com diabetes;
- trabalhadores que atuam ao ar livre;
- atletas e pessoas que fazem exercício sob altas temperaturas;
- pessoas em situação de rua;
- quem usa medicamentos que podem alterar a eliminação de líquidos ou a resposta do organismo ao calor.
Em idosos, a sede pode ser menos perceptível, e a desidratação pode se manifestar por sonolência, fraqueza, confusão, boca seca, olhos fundos e diminuição da urina. Cuidadores e familiares devem oferecer líquidos regularmente e observar mudanças no comportamento e na rotina do banheiro. (prefeitura.sp.gov.br)
Pessoas com insuficiência cardíaca, doença renal ou outras condições que exigem controle da ingestão de líquidos devem seguir a orientação do médico. A recomendação de aumentar o consumo de água não deve ser aplicada automaticamente a todos os pacientes.
Como prevenir a desidratação nos dias quentes
A prevenção começa antes do aparecimento da sede. Mantenha uma garrafa de água por perto e faça pequenas ingestões ao longo do dia. A necessidade varia conforme idade, alimentação, atividade física, temperatura, umidade do ar e condições de saúde.
Outras medidas úteis são:
- evitar exposição direta ao sol nos horários de maior calor;
- preferir atividades físicas pela manhã ou no fim da tarde;
- usar roupas leves, claras e que favoreçam a transpiração;
- permanecer em ambientes ventilados e frescos;
- consumir frutas, verduras e preparações com maior quantidade de água;
- redobrar o cuidado durante febre, vômitos e diarreia;
- evitar bebidas alcoólicas em períodos de calor intenso;
- não esperar a sede aparecer para beber água.
Bebidas alcoólicas podem aumentar o risco de desidratação. Refrigerantes e bebidas muito açucaradas também não devem substituir a água na rotina. Em atividades prolongadas ou com suor intenso, a reposição de sais minerais pode exigir orientação profissional, especialmente para pessoas com doenças crônicas.
Água, soro de reidratação e bebidas esportivas
Para a hidratação cotidiana, a água costuma ser a principal opção. Em situações de vômito ou diarreia, a solução de reidratação oral pode ser indicada para repor água e sais minerais, mas deve ser utilizada corretamente.
O soro de reidratação oral não é a mesma coisa que uma bebida esportiva. Ele tem composição específica e é usado de acordo com a avaliação do quadro. Em crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas, a orientação de uma equipe de saúde é especialmente importante.
Não existe uma quantidade única de água que sirva para todas as pessoas. O consumo deve considerar as necessidades individuais, sem forçar grandes volumes em pouco tempo. Quando houver orientação médica para restringir líquidos, essa orientação deve ser mantida mesmo nos dias quentes.
Desidratação não deve ser tratada apenas em casa
Casos leves podem melhorar com repouso, ambiente fresco e ingestão adequada de líquidos. Porém, sintomas persistentes, piora progressiva ou sinais de gravidade exigem atendimento.
Em São Paulo, a pessoa pode procurar uma Unidade Básica de Saúde, uma Unidade de Pronto Atendimento ou outro serviço de urgência, conforme a intensidade dos sintomas. Em emergências, o Samu pode ser acionado pelo 192.
O ponto principal é observar o conjunto de sinais. Sede, boca seca e urina escura podem indicar o início do problema. Já confusão mental, desmaio, convulsão, temperatura elevada e incapacidade de beber são sinais de alerta. Nesses casos, não espere a melhora espontânea: procure ajuda médica imediatamente.