Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul é a nova presidência do Brasil. O Brasil, após três décadas, reassumiu a liderança da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas). Durante a IX Reunião Ministerial do foro, realizada nos dias 8 e 9 de abril, no Rio de Janeiro (RJ), o Brasil teve a oportunidade de discutir a cooperação entre os países do Atlântico Sul, enfocando o fortalecimento da articulação regional. O ministro da Defesa, José Múcio, afirmou que “é preciso estarmos juntos no fortalecimento de uma ordem internacional multilateral”.
A presidência do Brasil se sucede à presidência de Cabo Verde, que ocupou o cargo desde 2023. Essa transição é significativa, pois reflete um momento de renovação das iniciativas de cooperação no Atlântico Sul. O evento contou com a presença de autoridades influentes, como o Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e outros líderes militares e civis. A presença dessas figuras ressalta a seriedade da Zopacas e a sua importância em um mundo repleto de instabilidades.
O ministro José Múcio destacou a urgência de um diálogo constante entre os países da região, uma necessidade ainda mais premente no atual cenário internacional. “Nesses tempos de transformações, é crucial o fortalecimento da atuação conjunta entre as nações do Atlântico Sul”, disse. Ele também apontou a relevância desta reunião, que reuniu membros de diversos países como plataforma vital para fortalecer a cooperação no Atlântico Sul.
O cenário internacional é marcado por uma série de conflitos, e a Zopacas traz à tona a necessidade de um novo formato de diálogo e cooperação. Durante a reunião, Múcio mencionou que a grande quantidade de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial demanda respostas concretas e colaborativas entre os países que fazem parte da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul.
O ministro das Relações Exteriores conduziu as discussões com os países membros, reiterando que a presidência brasileira é um sinal de comprometimento com a paz e a estabilidade do Atlântico Sul. Ele também enfatizou a importância da Zopacas na prevenção de disputas geopolíticas que poderiam desestabilizar ainda mais a região.
Outra iniciativa importante discutida na reunião foi o aprofundamento da cooperação em defesa com países da costa ocidental africana, incluindo encontros bilaterais que envolveram autoridades de defesa e relações exteriores. A Zopacas não se limita a discussões teóricas; ações práticas, como exercícios conjuntos e programas de capacitação, estão sendo implementadas para garantir uma segurança robusta na região.
Entre as iniciativas em andamento, a Operação Guinex foi mencionada. Este exercício naval realizado no Golfo da Guiné visa a segurança marítima e o combate à pirataria, além de busca de fortalecer laços com nações da costa ocidental africana. A cooperação entre as Forças Armadas brasileiras e os países membros destaca-se pela troca de experiências e pelo incremento na formação de novos líderes regionais.
Em termos de formação, entre 2020 e 2025, as escolas das Forças Armadas brasileiras prepararam 162 alunos de oito países membros para cursos diversos. O Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil também capacitou 144 militares de 14 estados participantes, demonstrando um compromisso contínuo com a formação e a segurança no Atlântico Sul.
Além das iniciativas tradicionais de defesa, a Zopacas também busca promover projetos acadêmicos e estratégicos. Um exemplo é o Curso Avançado de Defesa que contou com a presença de civis e militares, promovendo um intercâmbio de ideias e experiências vital para a compreensão das demandas regionais.
Ao término da IX Reunião Ministerial, a Declaração do Rio de Janeiro foi divulgada, reafirmando o comprometimento dos países membros com a paz e o desenvolvimento sustentável. Essa declaração, juntamente com a adesão à Convenção para a Proteção do Meio Ambiente Marinho no Atlântico Sul, evidencia o esforço coletivo em direção à proteção ecológica e à cooperação regional.
Em adição, o 3º Simpósio Marítimo da Zopacas ocorreu recententemente, aprofundando discussões sobre segurança e cooperação marítima. O evento, coordenado pela Marinha do Brasil, enfatizou a importância dessas interações para enfrentar os desafios contemporâneos. José Múcio, na abertura, reiterou que esse espaço não é apenas uma reunião, mas um passo estratégico para um futuro mais seguro e colaborativo no Atlântico Sul.
Fundada pela Resolução 41/11 da ONU em 1986, a Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul visa promover a cooperação política e a segurança na região. A Zopacas conta com 24 estados membros, abrangendo países da América do Sul e da África, e continua a trabalhar em prol do desenvolvimento sustentável e da paz na vasta área do Atlântico Sul.