terça-feira, 27 de outubro de 2026
Política

Plano de desenvolvimento do Amazonas organiza diagnóstico estadual para orientar a gestão de 2027

Elaborado por equipes multidisciplinares, o Plano Estratégico de Desenvolvimento do Amazonas reúne diagnósticos, indicadores, metas e propostas que poderão orientar a administração de Omar Aziz a partir de janeiro de 2027.
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O Plano Estratégico de Desenvolvimento do Amazonas reúne diagnósticos e propostas para orientar a próxima administração estadual, que será comandada pelo governador eleito Omar Aziz (PSD) a partir de janeiro de 2027. Coordenado pelo empresário, publicitário e pesquisador Durango Duarte, o trabalho tem aproximadamente 1.742 páginas distribuídas em três volumes.

O documento foi elaborado por equipes multidisciplinares, com a participação de pesquisadores, professores, economistas, especialistas em políticas públicas, profissionais da administração, entidades de classe, instituições de pesquisa, organizações da sociedade civil e representantes do setor produtivo.

A proposta apresentada por Omar Aziz como uma das bases de seu projeto de governo reúne temas como economia, saúde, educação, segurança pública, infraestrutura, assistência social, habitação, meio ambiente, tecnologia, inovação e desenvolvimento regional.

Diagnóstico e propostas para além de um mandato

O planejamento foi estruturado com a intenção declarada de estabelecer uma agenda de desenvolvimento que ultrapasse os limites de uma gestão. Para isso, os documentos relacionam problemas identificados no estado a soluções, indicadores, metas e estratégias de execução.

O plano também trata da continuidade das políticas públicas e da criação de mecanismos de acompanhamento e avaliação. A ideia é que os resultados das ações possam ser verificados ao longo da execução, considerando as prioridades definidas, os recursos disponíveis e a capacidade dos órgãos estaduais.

Entre os temas incorporados ao planejamento estão inteligência artificial, transformação digital, mudanças climáticas, desenvolvimento sustentável e modernização da administração pública. A agenda também procura reduzir desigualdades econômicas entre Manaus e os municípios do interior.

Três volumes dividem os principais eixos

O primeiro volume concentra as propostas relacionadas à situação fiscal do Amazonas, aos efeitos da Reforma Tributária, à infraestrutura, à logística e à diversificação econômica.

O documento inclui diretrizes para o fortalecimento da Zona Franca de Manaus e para a ampliação das atividades produtivas no interior. Também aborda bioeconomia, turismo, piscicultura, fruticultura, ciência e tecnologia.

O eixo econômico parte da necessidade de ampliar a capacidade de investimento do estado e criar condições para uma distribuição mais equilibrada das atividades produtivas entre a capital e os demais municípios.

O segundo volume trata de saúde, segurança pública e assistência social. Na área da saúde, as propostas incluem a regionalização do atendimento, a ampliação da telessaúde nos 62 municípios, o fortalecimento dos polos regionais e o uso de barcos-hospitais e equipes itinerantes.

Para a segurança pública, o plano apresenta a modernização do Ronda no Bairro e a expansão da iniciativa por meio do Ronda nos Municípios, Ronda nos Rios, Ronda Social e Ronda Digital.

Na assistência social, o programa Amazonas Forte Social prevê o fortalecimento da rede de proteção às famílias vulneráveis e a ampliação de oportunidades de autonomia econômica.

O terceiro volume reúne educação, cultura, habitação, meio ambiente, políticas indigenistas, ciência, tecnologia e inovação. Entre as propostas estão o Pacto Estadual de Alfabetização, o fortalecimento do ensino médio e a expansão da educação profissional e tecnológica.

O documento também prevê a modernização dos serviços públicos por meio do Amazonas Digital e Inovador, além do fortalecimento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e do Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam).

As diretrizes incluem ainda políticas de valorização cultural e proteção dos povos indígenas.

Participação de mais de 200 colaboradores

Os três volumes somam aproximadamente 1.742 páginas de estudos, diagnósticos e propostas. O segundo volume registra a participação direta de mais de 200 colaboradores, enquanto o terceiro menciona mais de uma centena de participantes.

A construção envolveu profissionais de diferentes especialidades e contribuições de instituições e setores da sociedade. O objetivo foi reunir informações e perspectivas variadas na formulação de uma agenda para o governo estadual.

Com a eleição de Omar Aziz em 25 de outubro de 2026, ao lado da vice-governadora eleita Alessandra Campêlo, o plano passou a integrar o conjunto de referências técnicas que poderão ser consideradas na transição e na organização da próxima gestão.

Omar Aziz retorna ao comando do Executivo estadual depois de ter governado o Amazonas entre 2010 e 2014. Alessandra Campêlo será a primeira mulher eleita para o cargo de vice-governadora do estado.

Trajetória de Durango Duarte combina pesquisa e gestão

A coordenação do plano está relacionada à experiência profissional de Durango Duarte em pesquisas, comunicação, consultoria e gestão de projetos. Nascido em 11 de novembro de 1963, em Cachoeira do Sul (RS), ele chegou a Manaus em 1975 e construiu na capital amazonense a maior parte de sua trajetória empresarial.

Durango estudou Engenharia, Matemática e Jornalismo na antiga Universidade do Amazonas, atual Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Também se formou em Comunicação Social, com habilitação em Publicidade e Propaganda, pelo Centro Universitário do Norte (Uninorte).

Ele realizou especializações em marketing, políticas públicas, governo, inovação e transformação digital. Os conhecimentos estão relacionados à atuação em pesquisas, comunicação e planejamento estratégico.

Sua aproximação com a política começou no movimento estudantil, durante a década de 1980, em atividades ligadas à redemocratização do país e à representação universitária.

Relação profissional com Omar Aziz começou em 1988

A relação entre Durango Duarte e Omar Aziz teve início na vida estudantil e política amazonense. Em 1988, Durango foi convidado por Omar para assumir a direção executiva da Fundação de Apoio e Desenvolvimento Comunitário (Fundac). No mesmo ano, participou da primeira campanha eleitoral de Omar à Câmara Municipal de Manaus.

Entre 1989 e 1990, atuou como consultor do então prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto. Depois, desenvolveu trabalhos de consultoria associados a gestões estaduais de Amazonino Mendes, Eduardo Braga, Omar Aziz e Wilson Lima, além de administrações municipais.

Ao longo desse período, participou de estudos, estratégias e projetos ligados à comunicação institucional, ao planejamento governamental e às políticas públicas. Entre as iniciativas associadas à sua trajetória estão Ronda no Bairro, Amazonas Digital, Viver Melhor, Cidade Universitária e Bolsa Universidade.

Essa atuação consolidou sua experiência na análise de informações, na formulação de estratégias e no acompanhamento da administração pública.

Pesquisas eleitorais e expansão empresarial

Em 1990, Durango começou a desenvolver trabalhos de pesquisa com professores do Departamento de Estatística da Universidade do Amazonas. Naquele período, participou de iniciativas de acompanhamento e apuração eleitoral paralela, quando a tecnologia disponível era mais limitada e a totalização oficial podia levar vários dias.

Em 13 de julho de 1993, fundou a Perspectiva Tecnologia da Informação, que posteriormente passou a atuar com a marca Perspectiva Mercado e Opinião. A empresa realizou pesquisas eleitorais, estudos de mercado, levantamentos de opinião pública e análises do comportamento dos consumidores.

Segundo informações de sua trajetória profissional, a empresa desenvolveu mais de mil projetos de pesquisa. Durango também acompanhou 22 eleições desde 1982 e criou o Top of Mind, levantamento sobre as marcas e produtos mais lembrados pelos consumidores de Manaus.

Além da Perspectiva, fundou a The Voice, em 2009, voltada à publicidade em painéis eletrônicos de LED. Em 2019, criou a iMarketing, com serviços de comunicação digital, marketing, pesquisas e monitoramento de informações. Em 2021, fundou a Red Agency e estruturou a DMD Holding para organizar suas atividades e participações empresariais.

Memória histórica integra a trajetória

Durango também desenvolveu atividades voltadas à preservação da memória do Amazonas. Em 2015, fundou o Instituto Durango Duarte (IDD), organização sem fins lucrativos dedicada à pesquisa, documentação e preservação de registros históricos.

Inaugurado oficialmente em abril de 2016, o instituto reúne jornais, fotografias, documentos e outras fontes sobre a história de Manaus, do Amazonas e do Brasil.

O empresário participou ainda da publicação de obras sobre política, cultura, comunicação e história regional, entre elas Informação é Tudo, de 2005; Manaus, entre o Passado e o Presente, de 2009; Imprensa Amazonense, de 2015; e Manaus 350 Anos, de 2020.

Também participou de publicações relacionadas à história da Zona Franca de Manaus, ao ciclo da borracha e à preservação do patrimônio histórico da capital.

Próxima etapa depende de execução administrativa

Com a vitória de Omar Aziz, o plano coordenado por Durango Duarte passa a representar uma das bases técnicas disponíveis para a formulação das políticas públicas da próxima administração estadual.

A gestão que assumirá em janeiro de 2027 terá de lidar com a reorganização administrativa, a ampliação dos investimentos, a melhoria dos serviços públicos e o desenvolvimento dos municípios do interior.

A implementação das propostas dependerá da definição de prioridades, da disponibilidade orçamentária, da capacidade de execução dos órgãos estaduais e da articulação com municípios, União e setor produtivo.

O documento, portanto, reúne uma agenda ampla para o Amazonas, mas sua transformação em ações concretas dependerá das decisões administrativas e das condições de execução da futura gestão.