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Governo do Brasil lança programa que remunera manejadores de pirarucu por serviços ambientais

26 de março de 2026
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Pirarucu é um peixe crucial para a biodiversidade amazônica e, com o novo Programa de Pagamento por Serviços Ambientais do Pirarucu (PSA Pirarucu), o Governo do Brasil valoriza e remunera de forma justa as comunidades que realizam o manejo sustentável dessa espécie. Lançado em Manaus (AM) pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) em 26 de março, este programa é uma iniciativa inovadora que beneficiará cerca de 5 mil pessoas de comunidades tradicionais, em especial indígenas, responsáveis pela conservação de mais de 20 milhões de hectares no Amazonas.

Este programa exclusivo não apenas assegura a proteção ambiental, mas também promove a recuperação das populações naturais do pirarucu e valoriza os serviços ecológicos essenciais que essas comunidades prestam. O reconhecimento da importância do pirarucu como um bem ambiental é um passo significativo para a preservação da biodiversidade e para a valorização cultural das comunidades que mantêm essas práticas tradicionais.

Além disso, a certificação orgânica do pirarucu, que foi anunciada em conjunto com o programa, permite que as comunidades tenham acesso a mercados públicos e privados, aumentando consideravelmente suas oportunidades de renda. Com isso, o preço pago pelo pirarucu pode ser até 30% maior, um incentivo crucial que transforma a economia local e melhora a qualidade de vida das comunidades que dependem dessa prática.

O PSA Pirarucu surge em resposta a um contexto onde as políticas de apoio ao manejo sustentável eram limitadas e os pagamentos individuais aos manejadores eram insatisfatórios. Com um investimento de aproximadamente R$ 15 milhões, financiados pelo Green Climate Fund (GCF) e apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o programa visa superar essas barreiras.

Os serviços ambientais, conforme definido pela Lei 14.119/2021, são atividades que melhoram a saúde dos ecossistemas. O manejo do pirarucu não só ajuda na conservação da biodiversidade, mas também é vital para a preservação da identidade social e cultural das comunidades que o praticam. A implementação deste programa é parte do Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio), que busca promover o uso sustentável da biodiversidade nos próximos anos.

Um dos aspectos destacados pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, foi o impacto positivo na renda dos manejadores, que pode aumentar em até 40% com a implementação do programa. Essa transformação não é apenas econômica, mas também uma forma de reconhecimento do trabalho essencial que essas comunidades realizam na proteção dos recursos naturais e na promoção de práticas sustentáveis no manejo do pirarucu.

Simultaneamente, o projeto reforça a importância da sociobiodiversidade, conectando os esforços de manejo à criação de um novo padrão na bioeconomia amazônica. Essa integridade entre economia e meio ambiente é fundamental para as comunidades tradicionais e coloca o pirarucu como um modelo de prática sustentável que pode ser replicado em outras regiões.

A recente portaria interministerial também permite que produtos extrativistas de base animal, como o pirarucu, sejam reconhecidos como orgânicos, ampliando assim o acesso das comunidades a mercados que priorizam a sustentabilidade. A certificação não apenas proporciona condições mais vantajosas de inserção no mercado, mas também facilita a participação em programas de compras públicas, beneficiando as comunidades mais vulneráveis.

Além do PSA Pirarucu, o MMA lançou o Edital de Apoio a Coletivos da Sociobioeconomia, destacando a importância das organizações coletivas na construção de políticas públicas que promovam a inovação na Amazônia. O fortalecimento das organizações que atuam na sociobiodiversidade é essencial para assegurar um futuro sustentável para estas comunidades.

Em resumo, o programa Pirarucu não é apenas uma iniciativa local, mas um modelo de como as políticas públicas podem integrar desenvolvimento econômico e conservação ambiental, assegurando que as comunidades que protegem nosso patrimônio natural sejam justamente recompensadas. O futuro dos manejadores e da biodiversidade do pirarucu está interligado, e este programa representa uma nova era de oportunidades e desafios.

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