Inteligência artificial é o tema central do novo projeto apresentado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A iniciativa, que envolve a Subsecretaria de Estatísticas e Estudos do Trabalho, visa analisar os impactos da inteligência artificial e da automação sobre a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO). O objetivo é claro: antecipar tendências no mercado de trabalho e fornecer dados relevantes para a formulação de políticas públicas.
Durante a apresentação do projeto, a subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho, Paula Montagner, destacou a importância desse estudo, que busca compreender como essas transformações tecnológicas influenciam as ocupações registradas na CBO. A ideia é que as informações coletadas ajudem o MTE a planejar ações voltadas ao futuro do trabalho, garantido que os trabalhadores estejam preparados para as mudanças.
Além disso, a utilização da inteligência artificial juntamente com bases de dados da CBO permite a identificação das atividades mais suscetíveis a mudanças tecnológicas. Essa análise é fundamental para apoiar políticas de qualificação profissional, aprendizagem, intermediação de mão de obra e atualização das ocupações, levando em conta as necessidades emergentes do mercado.
Paula Montagner ressaltou que essa iniciativa surgiu da necessidade de compreender, com maior clareza, como a inteligência artificial e a automação podem transformar as ocupações existentes. “Nosso objetivo não é apenas medir quantas pessoas podem ser afetadas. Queremos que o MTE antecipe tendências e altere políticas públicas de forma a promover a qualificação profissional e proteção ao emprego,” explicou.
Outro ponto importante apresentado no encontro foi a necessidade de estabelecer um diálogo amplo sobre o tema, envolvendo trabalhadores, empresas e pesquisadores. Isso é vital para que o Brasil se prepare para integrar as novas tecnologias de maneira estratégica e benéfica para toda a sociedade.
A reunião contou com a presença de representantes da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE). A economista sênior do Departamento de Pesquisa da OIT, Janine Berg, apresentou virtualmente a metodologia que sua entidade utiliza para avaliar a exposição das profissões à inteligência artificial generativa.
Janine explicou que a OIT adota uma abordagem focada na análise das tarefas desempenhadas em cada ocupação. Essa metodologia, que compara as versões de 2023 e 2025, evidencia que a exposição não necessariamente significa impacto — a inteligência artificial tende a transformar as ocupações ao invés de eliminá-las.
O estudo realizado utiliza a Classificação Internacional Uniforme de Ocupações (CIUO/ISCO-08) e aplica pontuações de potencial de automação às tarefas profissionais. Isso permite uma identificação clara dos níveis de exposição por atividade e categoria ocupacional, levando em conta as diferenças entre os países e as evoluções tecnológicas recentes.
Para Janine, compreender os efeitos da inteligência artificial no mercado de trabalho vai além da tecnologia em si; depende, fundamentalmente, de como os governos, empresas e trabalhadores irão gerenciar sua adaptação, a qualificação e a proteção social diante das mudanças nas ocupações. A análise da exposição das profissões é, portanto, crucial para subsidiar políticas públicas que visem um futuro do trabalho mais equilibrado e inclusivo.
Além de Janine, a mesa foi composta por economistas e representantes da OIT, do BID e do MTE, que discutiram a importância da análise contínua e das informações precisas para enfrentar os desafios que a inteligência artificial representa. O envolvimento de especialistas e a constante atualização de dados são essenciais para promover ações que preparem o Brasil para as inevitáveis transformações no mercado de trabalho.