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IBGE mostra melhora na qualidade das moradias: energia elétrica e acabamento se expandem

17 de abril de 2026
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Dados de 2025 da PNAD Contínua mostram que 99,8% dos lares já contavam com energia elétrica. Acabamento nas paredes e revestimentos em pisos chegam a mais lares. A pesquisa, divulgada nesta sexta (17), também revela que a população brasileira cresce em ritmo menor e está envelhecendoEm 2025, a quase a totalidade dos domicílios brasileiros das cinco regiões do País já registram acesso à energia elétrica: 99,4%, no Norte; 99,8%, no Nordeste; e 99,9%, nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste. Na média nacional, seja por rede geral ou fonte alternativa, a energia elétrica já estava presente em 99,8% dos lares. Essa proporção se mantém desde 2019. As informações são da Pnad Contínua: Características dos domicílios e moradores, divulgada nesta sexta-feira (17/4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Pela situação do domicílio, a diferença também é pequena: áreas urbanas, com 99,9% dos domicílios, e áreas rurais atingindo 99,3%. No entanto, considerando o acesso à energia elétrica apenas pela rede geral, a área rural da Região Norte foi o percentual mais baixo, com 84,9%.
Domicílios com parede em alvenaria/taipa com revestimento aumentaram 3,0% em um ano
A alvenaria/taipa com revestimento foi o material predominante nas paredes dos domicílios particulares permanentes em 2025, chegando a 89,7%. O avanço foi de 2,1 milhões de domicílios com esse material, que corresponde a um aumento de 3,0%, em comparação com o ano anterior. O crescimento foi proporcionalmente maior do que o avanço no número de domicílios no país (2,6%).
“É um número que mostra uma evolução econômica das regiões. O Norte tem se destacado, com um aumento de 10,0 pontos percentuais, chegando a 71,5% dos domicílios com esse tipo de parede”, comenta o analista da pesquisa.
Proporção de domicílios com revestimento em pisos aumenta em todas as grandes regiões
Em 2025, 82,9% (65,7 milhões) dos domicílios particulares permanentes tinham piso de cerâmica, lajota ou pedra. O aumento foi de 28,7% em relação a 2016, quando 51,1 milhões de domicílios tinham esse tipo de piso, o equivalente a 76,6% do total. O segundo material que predominava nos pisos ano passado foi o de cimento, com 10,9% (8,6 milhões), seguido pelo de madeira apropriada para construção, 5,7% (4,5 milhões). Na comparação com 2016, todas as grandes regiões mostraram redução na proporção de domicílios com pisos de cimento e aumento na proporção daqueles com piso de cerâmica, lajota ou pedra.
Características dos domicílios
O número de domicílios particulares permanentes em 2025 aumentou 18,9%, de 66,7 milhões para 79,3 milhões, em comparação com 2016. Neste período, o número de domicílios alugados foi o que mais cresceu, 54,1%, de 12,2 milhões para 18,9 milhões. Já os domicílios próprios ainda pagando tiveram elevação de 31,2%, enquanto os já pagos subiram 7,3%. 
O aumento das unidades domiciliares alugadas foi um dos destaques, de acordo com o analista da pesquisa, William Kratochwill. “Foi um aumento de 5,4 pontos percentuais em relação a 2016. Quase um quarto dos domicílios brasileiros são alugados, enquanto a taxa de domicílios próprios ainda pagando não variou muito ao longo do tempo; de 6,2, em 2016, para 6,8, em 2025. Já domicílio próprio que já está pago vem diminuindo e chegou a 60,2%. É uma redução de 6,6 pontos percentuais, em relação a 2016”.

Entre os domicílios particulares permanentes no Brasil, 82,7% (65,6 milhões) eram casas, enquanto apartamentos totalizavam 17,1% (13,6 milhões), no ano passado. No entanto, de 2016 para 2025, o número de apartamentos cresceu 48,7%, enquanto o de casas aumentou 14,2%.
Maioria dos domicílios é de telha sem laje de concreto
Do total de domicílios no país, 48,9% (38,8 milhões) possuíam telha sem laje de concreto como material predominante na cobertura em 2025. Em seguida, o material predominante foi telha com laje de concreto, com 32,7% (25,9 milhões). Domicílios com somente laje de concreto eram 15,6% (12,4 milhões), e 2,7% (2,2 milhões) utilizavam outro tipo de material. A Região Sudeste foi a única que registrou percentual de domicílios com predominância de cobertura de telha com laje de concreto (49,1%), superior ao daqueles com telha sem laje de concreto (25,8%). Nas demais regiões, a cobertura de telha sem laje de concreto foi predominante.
Três em cada 10 domicílios rurais têm rede geral de abastecimento de água
Dos domicílios particulares permanentes em 2025, 86,1% (68,3 milhões) tinham acesso à rede geral de abastecimento de água, variando de 60,9%, no Norte, a 92,4%, no Sudeste.
“A Região Sudeste manteve a mesma proporção de 2016 para 2025. Esse número constante significa que o crescimento de domicílios na região tem sido acompanhado por uma proporção igual de expansão da rede geral de abastecimento. Quando esse percentual aumenta, significa que a expansão da rede de abastecimento está sendo maior do que a expansão do número de domicílios”, explica William.
A porcentagem de domicílios com rede geral de abastecimento de água foi maior em área urbana, com 93,1%, enquanto em área rural esse percentual foi de 31,7%.
Apenas 8,9% dos domicílios rurais são ligados à rede geral de esgoto
De 2019 para 2025, a proporção de domicílios particulares permanentes com esgotamento sanitário por rede coletora aumentou de 68,1% para 71,4%. Já 98,4% dos domicílios possuíam banheiro de uso exclusivo no ano passado, enquanto em 2019 era de 97,7%. Em áreas urbanas, 99,5% dos domicílios tinham banheiro de uso exclusivo, em 2025, e em 79,3% o escoamento era feito por rede geral. Já em áreas rurais, a proporção era de 90,3% dos domicílios com banheiros exclusivos e em apenas 8,9% o escoamento do esgoto era feito pela rede geral. As diferenças regionais foram acentuadas em relação a domicílios com acesso à rede geral de esgotos: Norte, 30,6%; Nordeste, 52,4%; Centro-Oeste, 66,9%; Sul, 71,6%; e Sudeste chegando a 90,7%.

Quase 5 milhões de domicílios ainda realizam queimada como destino do lixo
A coleta direta por serviço de limpeza foi o destino do lixo em 86,9% dos domicílios particulares permanentes no Brasil em 2025. A modalidade foi a principal em todas as grandes regiões, variando de 79,3%, no Nordeste, a 91,1%, no Sudeste. Já a queimada na propriedade foi o destino do lixo em 4,8 milhões de domicílios do país, sendo 3,6 milhões no Norte e no Nordeste. As duas regiões tiveram recuo frente aos percentuais de 2016: Norte, de 18,6% para 14,5%, e Nordeste, de 17,2% para 13,0%. Nas áreas rurais do país, 50,2% dos domicílios tinham a queima na propriedade como destino do lixo, seguido pela coleta direta por serviço de limpeza (32,4%) e a coleta em caçamba de serviço de limpeza (12,6%). Nas áreas urbanas, o principal destino do lixo foi a coleta direta por serviço de limpeza, em 94,0% dos domicílios.

Domicílios de duas grandes regiões têm mais motos que carros
Entre os bens pesquisados, a geladeira foi o mais presente nos domicílios. Em 2025, 98,4% deles possuíam o eletrodoméstico. Por outro lado, a máquina de lavar roupa esteve presente em 72,1% dos domicílios. De acordo com William, o aumento contínuo dos domicílios com máquina de lavar roupa é um dos destaques da pesquisa. “Os domicílios que passam a ter máquina de lavar roupa tiveram um aumento no Brasil de 9,1 pontos percentuais. Saiu de 63,0% dos domicílios, em 2016, para 72,1%, em 2025. Entre as grandes regiões, há um destaque muito forte para a Região Norte, que saiu de 41,0% para 60,0%, uma expansão de 19 pontos percentuais, e a Região Centro-Oeste, que teve um aumento de 16,6 pontos percentuais, chegando a 83,5%, em 2025”.
A pesquisa também verificou que 49,1% dos domicílios possuíam carro, 26,2%, motocicleta, e 13,5%, ambos. Entre as grandes regiões, o Sul apresentou o maior percentual de posse de carro (68,3%). Domicílios no Nordeste e Norte possuíam mais motos (39,5% e 34,5%) que carros (31,0% e 30,0%). Já o Sudeste foi a grande região que registrou a menor proporção de domicílios com motos (20,1%).
Número de pessoas com menos de 30 anos cai 10,4% desde 2012
A população brasileira cresceu 0,4% entre 2024 e 2025, chegando a 212,7 milhões de pessoas. Desde 2013, observa-se uma desaceleração no crescimento anual do número de habitantes do país: ficou em 0,8% de 2013 a 2015, oscilou entre 0,7% e 0,6% de 2016 a 2020, e vem se mantendo em 0,4% desde 2021.
A distribuição da população por grupos etários mostra uma tendência de envelhecimento da população. Em 2012, as pessoas com menos de 30 anos de idade eram 49,9%, passando para 41,4% em 2025. Já a população de 30 anos ou mais cresceu no período 2012-2023, passando de 50,1% para 58,6%.
“A população de menos de 30 anos de idade sofreu não apenas uma redução de participação no total, mas também uma redução de 10,4% no seu contingente, passando de 98,2 milhões para 88,0 milhões de pessoas. Quando se considera o contingente de 0 a 39 anos, a queda foi de 6,1% frente a 2012”, destaca William.
A parcela das pessoas de 60 anos ou mais de idade representava 16,6% da população em 2025, frente à estimativa de 11,3% em 2012. Entre os idosos, destaca-se a expansão da participação das pessoas de 65 anos ou mais de idade, que atingiu 11,6% da população total em 2025.
A Região Norte tinha maior concentração populacional nos grupos mais jovens, com 41,5% de sua população com menos de 24 anos de idade, em 2025. Sudeste e Sul, por outro lado, registraram os menores percentuais de população nessa faixa, com 31,1% e 31,6%, respectivamente, e a média nacional situou-se em 33,7%. A participação da população com menos de 18 anos de idade em relação à população total diminuiu em todas as grandes regiões no período de 2012 a 2025.
Por sua vez, as maiores concentrações da população de 60 anos ou mais de idade ocorreram no Sudeste e Sul, ambas com 18,1%, enquanto a menor foi observada na Região Norte (11,3%). A participação da população idosa cresceu em todas as grandes regiões na comparação com 2012.
População masculina é mais jovem que a feminina
Em 2025, as mulheres correspondiam a 51,2% da população do país, enquanto os homens eram 48,8%. Em todas as grandes regiões, há mais mulheres do que homens: Nordeste (51,7%) e Sudeste (51,3%) apresentaram maiores proporções de mulheres, seguidas da Centro-Oeste (50,7%), Sul (50,9%) e Norte (50,6%).
A população masculina apresenta padrão mais jovem que a feminina. Em 2025, para todos os grupos etários até 24 anos, os homens tinham estimativa superior à das mulheres. No grupo etário de 25 a 29 anos, os contingentes de homens e mulheres eram muito próximos, ficando em 3,9% da população total. A partir dos 30 anos, no entanto, o percentual de mulheres era superior ao dos homens em todos os grupos de idade.
Como a mortalidade dos homens é maior que a das mulheres em cada grupo etário, a razão de sexo (número de homens para cada 100 mulheres) tende a diminuir com o aumento da idade, observando-se maior concentração de mulheres entre a população idosa. Enquanto a razão de sexo para o total da população é de 95,1 homens para cada 100 mulheres, para a população de 65 anos ou mais foi de 75,9.
Menos de 50% da população se declara branca no Sudeste
De 2012 a 2025, o percentual da população que se declarava de cor ou raça branca caiu 3,8 p.p., passando de 46,4%, em 2012, para 42,6%, em 2025. A participação da população de cor ou raça preta cresceu de 7,4% em 2012 para 10,4% em 2025. Já população declarada de cor ou raça parda registrou pouca variação em relação a 2012, de 45,5% para 45,8%.
A participação da população declarada de cor ou raça branca se reduziu em todas as grandes regiões, entre 2012 e 2025, e da população de cor ou raça preta cresceu. Na Região Nordeste, houve a principal expansão da participação das pessoas de cor ou raça preta (4,2 p.p.), e, na Região Sul, das pessoas de cor ou raça parda (5,3 p.p.). “Na Região Sudeste, o percentual de pessoas que se declaram ficou abaixo dos 50%, ficando em 48,9%”, destaca William.

Homens adultos e mulheres idosas são maioria entre os que moram sozinhos
O arranjo domiciliar mais frequente no país em 2025 era o nuclear, que correspondeu a 65,6% do total de domicílios, mas apresentou queda em relação a 2012 (68,4%). O arranjo nuclear consiste em um único núcleo formado pelo casal, com ou sem filhos (inclusive adotivos e de criação) ou enteados. São também nucleares as unidades domésticas compostas por mãe com filhos ou pai com filhos, as chamadas monoparentais.
A unidade estendida, constituída pela pessoa responsável com pelo menos um parente, formando uma família que não se enquadra em um dos tipos descritos como nuclear, correspondia a 13,5% em 2025, com redução de 4,4 p.p. em relação a 2012.

Já as unidades domésticas unipessoais, ou seja, compostas apenas por um morador, passaram de 12,2% para 19,7%, um crescimento de 7,5 p.p (8,2 milhões de domicílios a mais). Ao analisar o padrão etário das pessoas em arranjos unipessoais, observou-se que 12,0% tinham 15 a 29 anos; 46,8% estavam na faixa de 30 a 59 anos; e 41,2% eram pessoas de 60 anos ou mais.
As mulheres eram 45,1% das pessoas que moravam sozinhas em 2025, enquanto os homens eram 54,9%. Há marcantes diferenças entre homens e mulheres que moravam sozinhos quanto ao perfil etário: 56,6% dos homens em arranjos unipessoais tinham 30 a 59 anos, seguidos por aqueles de 60 anos ou mais (28,6%); e, entre as mulheres, a maioria situava-se na faixa de 60 anos ou mais (56,5%).
Sudeste e Centro-Oeste tinham os maiores percentuais de domicílios com apenas um morador, com 20,9% e 20,0%, respectivamente, ao passo que a Região Norte registrou a menor proporção (15,1%). Norte e Nordeste assinalaram as maiores proporções de unidades domiciliares estendidas, com 20,1% e 15,5%, respectivamente, enquanto a Região Sul, com 11,0%, registrou a menor proporção.
           Resumo 

Em 2025, o Brasil tinha 79,3 milhões de domicílios particulares permanentes, um aumento de 18,9% em relação a 2016.
O número de domicílios alugados foi o que mais cresceu de 2016 para 2025, 54,1%, enquanto o de domicílios próprios ainda pagando teve elevação de 31,2% e o de domicílios próprios pagos subiu 7,2%.
Telha sem laje de concreto foi o material predominante, com 48,9% (38,8 milhões) dos domicílios; e, nas paredes, alvenaria/taipa com revestimento chegou a 89,7%.
O acesso à rede geral de abastecimento de água estava presente em 86,1% dos domicílios do país.
Nas áreas rurais, apenas 8,9% dos domicílios tinham escoamento do esgoto feito pela rede geral.
A queimada na propriedade foi o destino do lixo em 4,8 milhões de domicílios do país.
Entre os bens pesquisados, a máquina de lavar roupa se destacou com um aumento contínuo dos domicílios.
De 2012 a 2025, a parcela da população com menos de 30 anos passou de 49,9% para 41,4%. Houve também uma redução de 10,4% no seu contingente, passando de 98,2 milhões para 88,0 milhões de pessoas.
Já a população com mais de 60 anos cresceu de 11,3%, em 2012, para 16,6%, em 2025, mostrando uma tendência de envelhecimento populacional.
De 2012 para 2025, o percentual da população que se declarava de cor ou raça branca caiu 3,8 p.p., passando de 46,4%, em 2012, para 42,6%, em 2025. No Sudeste (48,9%), o percentual ficou abaixo dos 50,0%.
A participação da população de cor ou raça preta cresceu de 7,4%, em 2012, para 10,4%, em 2025.
As unidades domésticas unipessoais, ou seja, compostas apenas por um morador, passaram de 12,2% para 19,7%, um crescimento de 7,5 p.p (8,2 milhões de domicílios a mais).
Em 2025, 56,6% dos homens em arranjos unipessoais tinham de 30 a 59 anos, e, entre as mulheres, 56,5% situavam-se na faixa de 60 anos ou mais.

Mais sobre a pesquisa
A PNAD Contínua: Características Gerais dos Domicílios e Moradores reúne informações sobre tipo e condição de ocupação, material predominantes das paredes, piso e telhado, serviços de saneamento básico e energia elétrica e posse de bens, dados referentes à caracterização dos domicílios.
Já a caracterização dos moradores apresenta informações sobre distribuição da população, sexo e grupos de idade, cor ou raça e unidades domésticas (arranjos domiciliares). Os dados estão desagregados para Brasil, Grandes Regiões, Unidades da Federação, Regiões Metropolitanas e Municípios de Capitais.

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