O fim do vestibular como critério de seleção para as universidades públicas está previsto em um projeto analisado pela Câmara dos Deputados. A proposta estabelece um modelo de acesso universal ao ensino superior público, associando a conclusão do ensino médio à possibilidade de ingresso nessas instituições.
O texto ainda não altera as regras em vigor. Para produzir efeitos, a proposta precisa seguir o processo de tramitação no Legislativo, ser analisada pelas instâncias responsáveis e, ao final, ser aprovada conforme as regras aplicáveis aos projetos de lei.
A mudança discutida desloca o centro do acesso universitário. Em vez de uma disputa por vagas baseada em exame de seleção, o modelo previsto no projeto faria com que as universidades públicas se organizassem para atender os estudantes que concluíssem o ensino médio.
O que prevê a proposta
O projeto extingue o vestibular como porta de entrada para as universidades públicas e garante, segundo a matéria divulgada pela Câmara, o acesso universal ao ensino superior público. A conclusão do ensino médio passaria a ser o requisito relacionado ao ingresso dos estudantes.
Na prática, a proposta modifica a função atualmente desempenhada pelos processos seletivos. Hoje, o vestibular e outros mecanismos de seleção são utilizados para ordenar a disputa por um número limitado de vagas. Com a mudança, a seleção deixaria de funcionar como filtro para definir quem pode entrar na universidade pública.
O texto também altera a relação entre a quantidade de concluintes do ensino médio e a oferta de vagas no ensino superior. Caso a proposta avance, as instituições teriam de considerar a demanda formada por esses estudantes em sua organização acadêmica e administrativa.
Conclusão do ensino médio como etapa de acesso
O ponto central do projeto é a ligação entre a certificação do ensino médio e o ingresso em uma universidade pública. O estudante que concluísse essa etapa da educação básica não precisaria disputar uma vaga por meio de vestibular, conforme o modelo proposto.
Essa previsão não significa que a mudança já esteja valendo. A regra atual permanece em vigor enquanto a proposta não for aprovada e transformada em norma aplicável. Também não há, no estágio de análise legislativa, alteração automática nos procedimentos adotados pelas universidades públicas.
O projeto trata de uma mudança estrutural no acesso ao ensino superior. Em vez de concentrar a definição das vagas em uma prova ou em outro processo classificatório, o desenho apresentado estabelece que a rede pública de ensino superior deverá se preparar para receber os concluintes do ensino médio.
Impacto na organização das universidades
A adoção do acesso universal teria consequências sobre o planejamento das universidades públicas. A expansão do número de estudantes exigiria definição de vagas, cursos, turmas, professores, espaços físicos e demais condições necessárias para o funcionamento das instituições.
A proposta, portanto, não se limita a retirar o vestibular. Ela também impõe uma discussão sobre a capacidade de atendimento da rede pública de ensino superior. O funcionamento do modelo dependeria de uma reorganização para compatibilizar a demanda de novos alunos com a estrutura universitária.
Essa reorganização alcançaria diferentes áreas da vida acadêmica. A distribuição de estudantes entre cursos e unidades, o planejamento das atividades de ensino e a oferta de condições para a permanência na universidade passariam a integrar o desafio de um sistema sem seleção por disputa de vagas.
O eixo da proposta é que o acesso deixe de ser limitado pela concorrência entre candidatos. A responsabilidade pelo atendimento passaria a estar ligada ao planejamento das instituições e da rede pública de ensino superior.
Diferença em relação ao modelo atual
No modelo atualmente conhecido, o vestibular e outros exames de ingresso ordenam os candidatos de acordo com critérios definidos em cada processo seletivo. Como a quantidade de vagas é limitada, a aprovação depende da classificação obtida pelo estudante.
O projeto em análise altera essa lógica ao retirar da prova a função de decidir quem terá acesso à universidade pública. A conclusão do ensino médio assumiria papel central no percurso educacional, e a universidade passaria a ser tratada como etapa seguinte para os estudantes que cumprissem esse requisito.
A mudança também separa duas questões que hoje estão diretamente relacionadas: a certificação da educação básica e a disputa por uma vaga no ensino superior. Pela proposta, terminar o ensino médio seria suficiente para abrir o caminho de ingresso na rede pública universitária, sem a etapa classificatória do vestibular.
O texto não deve ser confundido com uma alteração imediata nos processos seletivos. Enquanto a tramitação não for concluída, as universidades continuam submetidas às normas e aos procedimentos vigentes para admissão de estudantes.
Tramitação ainda precisa avançar
A análise pela Câmara representa uma etapa do processo legislativo. O projeto ainda depende do exame pelas instâncias competentes e das deliberações previstas para sua tramitação. O conteúdo pode ser discutido ao longo do procedimento legislativo antes de uma eventual aprovação.
Por isso, a proposta não garante, neste momento, matrícula automática em universidade pública para quem conclui o ensino médio. A possibilidade depende do avanço do texto, de sua aprovação e da entrada em vigor de uma eventual norma.
Também caberia ao processo legislativo definir como a mudança seria aplicada e quais medidas seriam necessárias para viabilizar o novo modelo. A implementação do acesso universal exigiria regras de organização e planejamento compatíveis com a ampliação do atendimento pela rede pública.
Debate sobre acesso e capacidade de atendimento
Ao propor o fim do vestibular, o projeto leva para o centro do debate a capacidade de atendimento das universidades públicas. A questão deixa de ser apenas qual mecanismo será usado para selecionar candidatos e passa a envolver como as instituições receberão todos os estudantes abrangidos pelo modelo.
O acesso universal também mudaria a forma de planejar a expansão do ensino superior público. A oferta de vagas precisaria acompanhar a demanda dos concluintes do ensino médio, de acordo com a estrutura que viesse a ser estabelecida para a aplicação da proposta.
Esse desenho alteraria o papel da universidade no percurso educacional. A instituição deixaria de operar exclusivamente sob a lógica de selecionar parte dos candidatos para funcionar, conforme o projeto, como a etapa seguinte da formação dos estudantes que terminassem o ensino médio.
A proposta, contudo, permanece em análise. As regras atuais continuam a orientar o ingresso nas universidades públicas até que qualquer mudança seja aprovada e passe a produzir efeitos.
Fonte: Agência Câmara de Notícias.
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil.


