aproximação entre planetas e a Lua é um fenômeno que tem fascinado a humanidade há séculos. No dia 17 de junho, brasileiros em várias regiões se voltaram para o céu e puderam contemplar um evento astronômico raro e belíssimo. Esse evento envolveu Mercúrio, Vênus e Júpiter, que se alinharam de uma forma especial, criando uma composição visual incrível ao lado da Lua. A Dra. Josina Nascimento, astrônoma do Observatório Nacional, explicou que a proximidade aparente desses astros com a Lua foi o que tornou a experiência excepcional. “A Lua estava bem próxima de Vênus, fazendo esse evento ser um dos mais singulares que podemos observar”, comenta Josina.
O alinhamento dos planetas visíveis a olho nu, como Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno, ocorre com frequência, mas a forma como esses corpos celestes se disponham no céu varia. A órbita da Lua, que é inclinada em apenas 5 graus em relação à da Terra, coloca os planetas e a Lua em um mesmo caminho aparente no céu, conhecido como eclíptica. Esta é a razão pela qual a Dra. Josina recomenda que todos observem o céu com mais frequência, já que a Lua costuma passar perto dos planetas todos os meses. “Olhar o céu todos os dias e ver como a Lua transita pelas constelações e se aproxima dos planetas é uma atividade gratificante”, conclui a astrônoma.
É importante diferenciar entre conjunções e ocultações no contexto da aproximação entre planetas e a Lua. Quando dois ou mais corpos celestes estão alinhados, isso é chamado de conjunção. A Dra. Josina também lembra que o Observatório Nacional apresenta mensalmente as próximas conjunções que podem ser observadas, ajudando os amantes da astronomia a se programarem.
A ocultação, que é um fenômeno mais raro, acontece quando a Lua cobre um planeta, como ocorreu em setembro de 2020 com Marte e, mais recentemente, com Vênus no dia 17 de junho. Esse espetáculo é visível apenas em faixas específicas da Terra e requer algumas condições especiais para ser observado. “É como um eclipse, apenas algumas pessoas conseguem ver”, destaca Josina. Inúmeros especialistas e entusiastas registraram a ocultação de Vênus no Nordeste, revelando a magia do universo que é tão frequentemente ignorada.
Para aqueles que desejam observar os astros, a Dra. Josina oferece algumas dicas valiosas. Júpiter, que se encontra em uma posição elevada no céu, é fácil de reconhecer, enquanto Mercúrio requer um horizonte desobstruído devido à sua localização próxima ao horizonte após o pôr do sol. “Para ver Mercúrio, é necessário estar em um local onde o horizonte não esteja bloqueado”, avisa.
O espetáculo celeste continuará nos próximos dias. A Dra. Josina antecipa que nesta quinta-feira, dia 18, a Lua será avistada mais alta que Vênus. E na sexta-feira, dia 19, ela estará ainda mais acima, com a possível visualização de Regulus, a estrela alfa da constelação de Leão, logo abaixo da Lua. “Se você esticar o braço e abrir a mão, é essa a altura que a Lua estará em relação a Vênus”, explica a astrônoma.
Para aqueles que perderam a oportunidade de observar esses eventos ou querem ver registros de qualidade, o Observatório Nacional convida todos a participarem de uma live especial que ocorrerá no próximo sábado, 20 de junho, em seu canal do YouTube. Essa transmissão, que faz parte do projeto “O Céu em Sua Casa: Observação Remota”, completará 6 anos e exibirá imagens impressionantes e relatos de observadores por todo o Brasil. Acompanhar eventos astronômicos como chuvas de meteoros e eclipses também é uma prática comum do observatório e está disponível nas redes sociais e site do ON.