segunda-feira, 28 de setembro de 2026
SAÚDE

A importância da vacinação em todas as faixas etárias: veja quais cuidados são necessários

A vacinação é uma medida de prevenção essencial em todas as fases da vida. Saiba por que cada faixa etária tem recomendações específicas, como atualizar a caderneta e onde buscar orientação no SUS.

A importância da vacinação não se limita à infância. As vacinas fazem parte do cuidado de saúde durante toda a vida e ajudam a prevenir doenças que podem causar complicações, internações, sequelas e mortes. No Brasil, o Calendário Nacional de Vacinação organiza as recomendações para crianças, adolescentes, jovens, adultos, idosos, gestantes e grupos com condições específicas de saúde.

O calendário é atualizado periodicamente pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI). Por isso, a orientação é consultar a versão mais recente no Calendário Nacional de Vacinação do Ministério da Saúde ou procurar uma unidade de saúde. As regras podem variar conforme a idade, o histórico de doses, a gravidez, o trabalho exercido, o local de residência, viagens e condições clínicas.

Por que a vacinação é importante?

As vacinas estimulam o sistema imunológico a reconhecer determinados agentes infecciosos e a responder com mais rapidez quando ocorre o contato com vírus ou bactérias. Esse mecanismo reduz o risco de adoecimento e, em muitos casos, diminui a probabilidade de formas graves da doença.

A proteção também tem dimensão coletiva. Quando mais pessoas estão vacinadas, a circulação de agentes infecciosos tende a diminuir. Isso contribui para proteger indivíduos que não podem receber determinadas vacinas por indicação médica, além de recém-nascidos, pessoas imunossuprimidas e pacientes com maior risco de complicações.

Doenças como poliomielite, sarampo, rubéola, difteria, tétano, coqueluche, hepatite B, meningites, influenza e covid-19 estão entre as enfermidades preveníveis por imunizantes disponíveis em diferentes estratégias do SUS. A vacinação, no entanto, não substitui outras medidas de prevenção, como higiene das mãos, acompanhamento médico e cuidados recomendados em situações de surto ou exposição.

Vacinação na infância

Os primeiros anos de vida concentram várias doses porque o sistema imunológico da criança ainda está em desenvolvimento e porque algumas doenças apresentam maior risco nessa fase. A proteção começa desde o nascimento, quando podem ser indicadas vacinas como BCG e hepatite B, conforme o calendário e as condições do bebê.

Ao longo dos primeiros meses, o calendário prevê imunizantes contra doenças como coqueluche, difteria, tétano, hepatite B, poliomielite, rotavírus, pneumonias, meningites, sarampo, caxumba, rubéola, febre amarela e hepatite A, entre outras. As vacinas e os intervalos variam conforme a idade, por isso é importante respeitar as datas indicadas na caderneta.

Algumas vacinas têm períodos específicos para aplicação. O rotavírus, por exemplo, possui limites de idade para início e conclusão do esquema. Quando uma dose é perdida, a família deve procurar o serviço de saúde o quanto antes para que o histórico seja avaliado. Em geral, as doses já registradas são consideradas, e não se deve reiniciar automaticamente todo o esquema.

A vacinação infantil também ajuda a evitar a interrupção de atividades escolares, reduz a transmissão de doenças em creches e escolas e contribui para a proteção de familiares. O acompanhamento da caderneta deve fazer parte das consultas pediátricas e das rotinas de saúde da família.

Adolescentes e jovens também precisam de vacinas

A adolescência é uma etapa importante para completar esquemas iniciados na infância e receber vacinas recomendadas para essa faixa etária. O calendário pode incluir imunizantes contra HPV, meningites, difteria, tétano, coqueluche, febre amarela, sarampo, caxumba e rubéola, de acordo com a idade e o histórico vacinal.

A vacina contra o HPV tem papel relevante na prevenção de infecções relacionadas a diferentes tipos de câncer. A proteção é mais efetiva quando administrada antes da exposição ao vírus, mas a indicação depende das regras vigentes e da avaliação do serviço de saúde.

Adolescentes que perderam a caderneta ou não sabem quais doses receberam não devem deixar de buscar atendimento. A unidade de vacinação pode analisar os registros disponíveis e orientar a atualização. A ausência do documento não impede, por si só, a avaliação e a aplicação das vacinas indicadas pelo profissional.

Adultos devem manter a caderneta atualizada

É comum que adultos deixem de acompanhar as vacinas depois da infância. No entanto, a proteção pode diminuir com o tempo, algumas doses exigem reforço e outras são indicadas conforme a idade, a ocupação, a gravidez, as condições de saúde ou o risco de exposição.

Entre as vacinas que podem ser avaliadas para adultos estão as de hepatite B, difteria e tétano, febre amarela, tríplice viral, influenza e covid-19. A indicação e o número de doses dependem do histórico individual e das orientações do Calendário Nacional de Vacinação. Trabalhadores da saúde, viajantes, pessoas que vivem em áreas de risco e indivíduos com doenças específicas podem ter recomendações adicionais.

A vacinação de adultos é especialmente importante para quem convive com crianças pequenas, idosos ou pessoas imunossuprimidas. Também deve ser verificada antes de viagens, mudanças de cidade, início de atividades profissionais e planejamento de uma gestação.

Gestantes: proteção para a mulher e o bebê

Durante a gestação, algumas vacinas são recomendadas para proteger a mulher e também transferir anticorpos ao bebê. A atualização da caderneta deve começar na primeira consulta do pré-natal, quando a equipe de saúde avalia as doses recebidas e define o que precisa ser administrado.

O calendário do Ministério da Saúde prevê recomendações específicas para vacinas como hepatite B, influenza, covid-19 e dTpa, que protege contra difteria, tétano e coqueluche. A dTpa é indicada a partir da 20ª semana de gestação, em cada gravidez, conforme a orientação oficial vigente. Há ainda recomendações específicas para a vacina contra o vírus sincicial respiratório a partir da 28ª semana, de acordo com o calendário de 2026.

A vacina contra febre amarela durante a gravidez é avaliada em situações excepcionais, como residência ou viagem para área com circulação viral confirmada, considerando o risco e o benefício. A gestante não deve decidir sozinha sobre adiar ou receber uma dose: a conduta precisa ser definida pelo serviço de saúde.

Quem planeja engravidar deve verificar a situação vacinal antes da concepção. Algumas vacinas, especialmente as que utilizam agentes vivos atenuados, podem ter restrições durante a gestação e precisam ser avaliadas previamente.

Vacinação na terceira idade

A partir dos 60 anos, o sistema imunológico pode responder de maneira menos eficiente a algumas infecções. Doenças respiratórias e outras enfermidades preveníveis podem evoluir com maior gravidade em pessoas idosas, principalmente quando há doenças crônicas, fragilidade ou necessidade de cuidados contínuos.

O calendário prevê, conforme o histórico e as condições individuais, vacinas contra influenza, covid-19, hepatite B, difteria e tétano. A vacina pneumocócica é indicada para grupos específicos, como idosos acamados ou institucionalizados sem histórico vacinal e povos indígenas, de acordo com as regras do calendário. Outras vacinas podem ser recomendadas para trabalhadores da saúde, povos indígenas ou pessoas com riscos particulares.

A vacinação anual contra influenza é importante porque a composição do imunizante acompanha a temporada e porque a gripe pode provocar complicações respiratórias em pessoas mais velhas. A proteção contra covid-19 também segue uma periodicidade definida para grupos prioritários, que pode ser atualizada pelas autoridades de saúde.

O que fazer quando há doses atrasadas?

O primeiro passo é procurar uma unidade de vacinação com a caderneta, o cartão de vacinação ou qualquer registro disponível. Se o documento foi perdido, o serviço pode orientar a emissão de uma nova via e consultar os sistemas de registro existentes, quando disponíveis.

Doses atrasadas não significam que a pessoa perdeu toda a proteção nem que o esquema deve ser reiniciado em todos os casos. A equipe verifica a idade, as doses comprovadas, os intervalos mínimos e as condições de saúde antes de indicar a atualização.

É importante informar ao profissional se a pessoa tem alergias graves, usa medicamentos que afetam a imunidade, está grávida, recebeu transfusão recentemente, tem febre ou passou por alguma reação importante após vacinação anterior. Essas informações ajudam a definir a conduta mais segura.

Onde buscar orientação no SUS

A vacinação de rotina está disponível ao longo do ano na rede pública, conforme a oferta de cada município e as regras do Calendário Nacional de Vacinação. Em São Paulo e nas demais cidades brasileiras, o cidadão deve consultar a unidade básica de saúde ou o serviço municipal responsável pela imunização para confirmar horários, documentos exigidos e disponibilidade de determinado imunizante.

Pessoas com condições clínicas especiais podem ser encaminhadas aos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE). Esses serviços avaliam situações que exigem vacinas ou esquemas diferenciados. A relação e as orientações estão disponíveis na área de vacinação do Ministério da Saúde.

Também é possível consultar a página oficial de vacinação do Ministério da Saúde, que reúne informações sobre os calendários, a Caderneta Digital da Criança, perguntas frequentes e documentos técnicos.

Cuidados depois da aplicação

Reações leves, como dor, vermelhidão ou sensibilidade no local da aplicação, podem ocorrer e costumam desaparecer em pouco tempo. Febre baixa e mal-estar também podem ser observados após algumas vacinas. A orientação é seguir as recomendações recebidas no serviço de saúde e não usar medicamentos por conta própria para prevenir reações.

Reações intensas, falta de ar, inchaço generalizado, desmaio prolongado ou outros sintomas preocupantes exigem atendimento imediato. Qualquer evento supostamente relacionado à vacinação deve ser informado ao serviço de saúde para avaliação e registro.

Manter a vacinação em dia é uma decisão de prevenção que acompanha todas as fases da vida. A melhor forma de saber quais doses são necessárias é conferir regularmente a caderneta e buscar orientação profissional, especialmente diante de mudanças no calendário, gravidez, viagens ou condições de saúde específicas.