Brasil audiovisual é o tema central das discussões mais recentes realizadas em Xangai, onde o Ministério da Cultura (MinC) apresentou um conjunto robusto de políticas públicas destinadas a moldar o futuro do setor na próxima década. Com foco na internacionalização, a agenda ocorreu no Mercado do Cinema e da TV de Xangai, parte da missão oficial do Brasil à China e do Ano Cultural Brasil-China 2026.
Com a presença do secretário-executivo adjunto do MinC, Cassius Rosa, e da secretária do Audiovisual, Joelma Gonzaga, a iniciativa contou com a participação de representantes do governo, produtoras e distribuidoras. O objetivo principal é debater o desenvolvimento, financiamento, coprodução, internacionalização e novas oportunidades de negócios, especialmente entre os mercados brasileiro e chinês.
Na abertura do seminário, Cassius Rosa ressaltou a importância de uma estratégia federal que vise à consolidação de políticas permanentes para o setor audiovisual. Ele evidenciou que a presença do Brasil em mercados internacionais tem se fortalecido ao longo do tempo, promovendo um relacionamento institucional, empresarial e criativo cada vez mais sólido.
“Um exemplo da nossa atuação na China refleja a importância da constância. Participei da primeira missão brasileira ao Festival de Beijing, e na ocasião éramos apenas uma pequena delegação. Hoje, a ampliação da nossa presença em Xangai indica um avanço significativo na internacionalização do audiovisual nacional”, comentou Cassius.
Ele também destacou a construção de vínculos de confiança no mercado chinês, com diálogo constante. Essa abordagem se alinha ao conceito chinês de Guanxi, a construção de relações duradouras por meio da reciprocidade.
Durante o seminário, foi apresentado o Plano de Diretrizes e Metas do Audiovisual (PDM) 2026–2035, que orientará as políticas públicas do setor nos próximos dez anos. O plano inclui eixos que priorizam a internacionalização do audiovisual, financiamento e regulação.
Além disso, os marcos legais que já consolidam a parceria entre Brasil e China foram reforçados durante o evento. Quatro memorandos de entendimento e dois acordos de coprodução foram assinados, definindo um novo marco jurídico para fomentar a cooperação bilateral no audiovisual.
“A cooperação com a China já está em andamento em áreas estratégicas, e isso inclui a preservação do nosso patrimônio cultural e audiovisual”, afirmou Joelma Gonzaga ao explicar os acordos já firmados com instituições chinesas.
Na sequência das apresentações, o seminário destacou a Plataforma Brasil de Audiovisual, um espaço para empresas brasileiras interessadas em coproduzir e distribuir conteúdos para cinema, TV e streaming. O destaque foi para o setor de animação, onde diversas produtoras brasileiras apresentaram seus projetos e parcerias.
Os representantes de estúdios de animação, como Copa Studio e Flamma Produções, compartilharam a trajetória de seus conteúdos, enfatizando o impacto do audiovisual brasileiro na China. A animação foi destacada como uma forma eficaz de estabelecer parcerias internacionais e culturalmente significativas.
Além disso, o seminário promoveu um espaço de networking e trocas entre distribuidoras brasileiras em busca de ampliar a circulação das obras no mercado chinês. Expositores da Gullane+ e da Olhar Filmes compartilharam suas experiências e a importância de construir um ecossistema robusto para o cinema brasileiro.
Por fim, a atenção foi voltada para a produção independente e novas oportunidades de negócios. Produtoras brasileiras de diferentes segmentos apresentaram suas iniciativas, enfatizando a necessidade de parcerias que possam fortalecer a presença do Brasil no cenário internacional.
A agenda em Xangai não apenas reforçou o compromisso do MinC com o desenvolvimento do Brasil audiovisual, mas também sinalizou um caminho promissor para a colaboração entre Brasil e China, com foco na criação, produção e distribuição de obras que respeitem e promovam as diversidades culturais de ambos os países.