Consumo de pescado precisa ser uma prioridade no Brasil. O País, que possui vasta costa e recursos hídricos, ainda consome muito menos pescado do que a média mundial. A afirmação foi feita pelo ministro da Pesca e Aquicultura, Edipo Araujo, em um programa de rádio, onde ele enfatizou a importância de mudar os hábitos alimentares da população brasileira. “Comer peixe significa ter uma vida melhor”, alegou Araujo, enfatizando que o consumo de pescado ainda é muito baixo em comparação ao resto do mundo, com dados alarmantes.
Atualmente, a média mundial de consumo de pescado é de 20 quilos por pessoa ao ano, enquanto o Brasil registra apenas 12 quilos. A situação é ainda mais preocupante quando analisamos as diferentes regiões do Brasil. Na Região Amazônica, por exemplo, onde a cultura pesqueira é forte, o consumo pode chegar a 30 ou 40 quilos por ano. Para comunidades pesqueiras tradicionais, esse número pode ultrapassar os 120 quilos. No entanto, em áreas como o Centro-Oeste, Sul e Sudeste, essa cifra cai drasticamente, chegando a apenas cinco quilos por ano. Esses números demonstram a necessidade urgente de se promover o consumo de pescado no Brasil.
O consumo de pescado não é apenas uma questão de quantidade, mas também de qualidade nutricional. O pescado é uma fonte rica em proteínas e EPA e DHA, ácidos graxos essenciais que podem contribuir para uma alimentação saudável. Com seus inúmeros benefícios para a saúde, é fundamental que o governo e organizações relacionadas ajudem a promover essa proteína como parte integral da dieta brasileira.
Nesse contexto, o ministro também abordou a dificuldade enfrentada pelos pescadores de pequeno porte, que dependem da venda direta para a população. Ele destacou a necessidade de que as políticas de rastreabilidade, como a exigência de notas fiscais para comprovação de origem do pescado, não sejam um obstáculo que afete negativamente a pesca artesanal. “A venda direta é um tema que precisamos encarar. Será que o pescado comprado diretamente do pescador não tem qualidade? Precisamos dialogar sobre isso”, afirmou Araujo.
A medida que exige notas fiscais para o pescado visa aumentar a transparência e a segurança em todo o setor. Ela também busca valorizar o produto local, facilitando a rastreabilidade ao longo da cadeia produtiva de pescado. No entanto, é importantíssimo que essa implementação seja feita de forma a apoiar os pequenos pescadores e não dificultar suas atividades econômicas.
A recuperação da Bacia do Rio Doce e os impactos do rompimento da barragem de Fundão em 2015 foram também temas relevantes na entrevista. O desastre ambiental afetou muitos pescadores da região que buscam retomar suas atividades. O apoio do Programa de Transferência de Renda (PTR) tem sido crucial, destinando auxílios mensais para aqueles que tiveram suas atividades prejudicadas, representando um investimento significativo no setor pesqueiro.
O consumo de pescado deve ser tratado como uma prioridade nacional, não apenas pela sua importância nutricional, mas também pelo seu potencial de fortalecer a economia local e a cultura pesqueira. Incentivar o consumo de pescado no Brasil pode não apenas melhorar a saúde da população, mas também contribuir para a preservação do meio ambiente e o fortalecimento das comunidades pesqueiras tradicionais. Com uma abordagem estratégica e uma alteração na cultura alimentar, o Brasil pode melhorar significativamente suas taxas de consumo de pescado, tornando essa prática mais comum e acessível para todos os brasileiros. Por isso, uma conscientização sobre a importância do consumo de pescado é essencial, e o governo deve assumir um papel ativo nessa transformação.