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Lares chefiados por mulheres negras atingem menor índice de fome da história

8 de março de 2026
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Nos domicílios que têm mulheres como responsável familiar, a taxa chegou a 3,6%. Quando o recorte inclui a raça, o índice ficou em 4,5%, também o menor nível já observado
Neste 8 de Março, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) celebra o Dia Internacional da Mulher com um marco histórico no enfrentamento às desigualdades: o País alcançou o menor índice de insegurança alimentar grave já registrado pela Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (Ebia).

E há um dado ainda mais simbólico: a fome também atingiu seus menores níveis entre os lares chefiados por mulheres e por pessoas negras — territórios onde as desigualdades sempre foram mais profundas.
Os índices de insegurança alimentar grave também atingiram os menores patamares já registrados na série histórica quando se observa o perfil dos domicílios.
Entre lares chefiados por mulheres, a taxa chegou a 3,6%, enquanto nos domicílios chefiados por pessoas negras foi de 4,1%. Nos lares liderados por mulheres negras – grupo historicamente mais exposto às desigualdades – o índice ficou em 4,5%, também o menor nível já observado.
O resultado consolida a saída do Brasil do Mapa da Fome, anunciada em julho de 2025 pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO/ONU).
A média trienal 2022/2023/2024 colocou o País abaixo do patamar de 2,5% da população em risco de subnutrição ou de acesso insuficiente à alimentação.
Segundo a Ebia, os domicílios em situação de insegurança alimentar grave recuaram para 3,2% em 2024, o menor índice da série histórica.
Para a secretária extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome do MDS, Valéria Burity, os dados demonstram que as políticas públicas alcançaram os grupos mais vulnerabilizados.

“Quando você dá a centralidade para o tema do combate à fome, você coloca ele na sua agenda política, isso vai se convertendo em políticas públicas”, afirmou Burity.

“A redução da fome é resultado de decisões políticas que priorizaram a geração de emprego e renda, o fortalecimento da agricultura familiar, a ampliação dos recursos para a alimentação escolar e o acesso à alimentação adequada e saudável, articuladas no âmbito do Plano Brasil Sem Fome”, completou a secretária.
A ampliação do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan) foi um dos pilares desse avanço. A partir de 2023, a reconstrução da governança do Sisan foi decisiva.
A Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan) voltou a se reunir regularmente. O Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) foi reinstalado.
Além disso, foram aprovados o Plano Brasil Sem Fome, o III Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, o Plano Nacional de Abastecimento e estratégias intersetoriais estruturantes.
“Essa reconstrução institucional não foi apenas formal, ela reorganizou a ação do Estado. O avanço da coordenação interfederativa fortaleceu o diálogo com estados e municípios”, explicou Burity.
O número de municípios que aderiram ao Sisan passou de 536, em 2022, para 2.152, em 2026. Dados da Munic 2024 mostram que 51,4% dos municípios já possuem Conselho Municipal de SAN, 36,3% têm lei municipal específica e 24,5% contam com Caisan.
Para a secretária do MDS, a queda histórica da insegurança alimentar entre lares chefiados por mulheres negras demonstra que políticas públicas bem estruturadas e intersetoriais são capazes de transformar realidades.
“Os números reforçam que o combate à fome está diretamente ligado à inclusão produtiva, à proteção social e à garantia de direitos — agenda que impacta de forma decisiva a vida das mulheres, especialmente das mulheres negras”, concluiu Burty.

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