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Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania se manifesta contra a redução da maioridade penal

2 de março de 2026
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Maioridade penal é um tema crucial nas discussões sobre justiça e direitos humanos no Brasil. O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania manifesta uma posição firme e inequívoca contra a redução da maioridade penal, considerando essa proposta inconstitucional e ineficaz no combate à violência. A adolescência é uma fase transicional, durando de 12 a 18 anos, e é fundamental para o desenvolvimento humano. O legislador brasileiro, ao estabelecer limites rigorosos para a internação no sistema socioeducativo, demonstra preocupação com a proteção integral do adolescente.

Os adolescentes, ao atingirem 12 anos, já podem ser responsabilizados por atos infracionais, mas isso ocorre dentro de um devido processo legal. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê medidas socioeducativas, afastando a necessidade de responsabilização penal comum. Isso é essencial, pois a maioridade penal se refere à capacidade de entendimento de um ato e suas consequências, algo que adolescentes em desenvolvimento ainda estão aprendendo e compreendendo.

A proposta de redução da maioridade penal, além de ser descabida, afronta diretamente a Constituição Federal de 1988. O artigo 228 garante que menores de 18 anos são penalmente inimputáveis. Esta proteção é uma cláusula pétrea, que não pode ser alterada por emenda, o que reforça a necessidade de um sistema de justiça especializado para lidar com as peculiaridades de quem ainda está em desenvolvimento.

Debates sobre a maioridade penal precisam ser fundamentados em evidências. É preciso reconhecer que a criminalidade é um fenômeno complexo, ligado a fatores socioeconômicos como desigualdade, desemprego e desestruturação familiar. Além disso, os adolescentes não são os principais autores de crimes violentos no Brasil; na verdade, são frequentemente as maiores vítimas dessas situações. A comoção gerada por crimes cometidos por adolescentes às vezes distorce a percepção pública e não deve levar a soluções simplistas como a redução da maioridade penal.

Os dados mostram que a responsabilização socioeducativa é uma realidade já existente e que precisa ser aperfeiçoada, em vez de ampliarmos o encarceramento. O investimento deve estar nas áreas de educação, saúde, assistência social e apoio às famílias, proporcionando um ambiente que permita a reintegração e transformação desses jovens. A experiência internacional também demonstra que o encarceramento precoce não é eficaz e, na verdade, pode fortalecer as ligações dos jovens com organizações criminosas.

Conforme os parâmetros internacionais de direitos humanos estabelecidos na Convenção sobre os Direitos da Criança, adolescentes devem ser vistos como sujeitos de direitos, e não como meros infratores. Sistemas de justiça juvenil devem ser especializados, focando na responsabilização proporcional e na reintegração social. As evidências científicas ressaltam que adolescentes possuem uma plasticidade cognitiva e emocional maior, o que implica em um potencial significativo para mudança e reintegração.

Portanto, a verdadeira resposta à questão da violência não está na diminuição de direitos, mas na criação de novas oportunidades. A ampliação do suporte ao Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo é essencial, assim como a garantia de políticas públicas integradas que promovam a cultura de prevenção e proteção dos direitos dos adolescentes. O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania está comprometido com essa missão, defendendo um futuro mais justo e humano para todos os jovens do Brasil.

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