Transição energética é um tema central nos debates globais atuais, especialmente quando se trata da segurança mineral e da geopolítica. Recentemente, Brasília sediou um evento crucial, intitulado “Transição Energética, Segurança Mineral e Geopolítica Global”, promovido pelo Instituto de Regulação, Inovação e Sustentabilidade (IRIS). Este encontro reuniu especialistas, autoridades e representantes do setor energético e mineral no auditório da Confederação Nacional da Indústria (CNI), destacando a relevância do Brasil nesse contexto.
Durante o simpósio, as transformações no setor mineral foram o foco dos debates. A nova dinâmica energética no mundo está exigindo que o Brasil se posicione como um fornecedor estratégico de minerais críticos. Neste contexto, a transição energética não é apenas uma questão ambiental; trata-se também de uma questão de segurança mineral e competitividade global. Ao invés de ver a mineração como uma atividade isolada, é vital compreender como ela se entrelaça com a segurança energética e as relações internacionais.
Os painelistas abordaram aspectos cruciais, como a necessidade de inovação tecnológica no setor mineral e as implicações regulatórias que surgem com a crescente demanda por minerais críticos. Mauro Sousa, diretor-geral da ANM (Agência Nacional de Mineração), enfatizou a importância de uma política pública mineral dinâmica, que se adapte às novas demandas do mundo. Ele ressaltou o papel do recém-instalado Conselho Nacional de Política Mineral, que inclui grupos de trabalho focados no aprimoramento das diretrizes e na missão da ANM.
No segundo painel, José Fernando, outro diretor relevante na ANM, destacou a competência do corpo técnico da agência. Ele declarou que essa equipe qualificada tem sido essencial para os avanços recentes na regulação mineral, o que se reflete em melhorias nos processos e em uma abordagem mais moderna e eficaz em relação à regulação do setor.
As parcerias firmadas pela ANM também foram um ponto importante, incluindo colaborações com instituições como a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e a Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa). José Fernando mencionou projetos concretos decorrentes dessas colaborações, como o Anuário da Mineração, que fornece dados fundamentais para orientar investimentos e políticas públicas. Essa transparência é essencial para garantir um ambiente de negócios seguro e atrativo.
A cerimônia também incluiu homenagens a figuras proeminentes do setor, como Mauro Sousa e Fernando Azevedo, do Instituto Brasileiro de Mineração. O reconhecimento que receberam foi por suas contribuições significativas à promoção da segurança jurídica e à regulação minerária no Brasil. Na prática, isso se traduz em um compromisso com uma mineração responsável e alinhada com as necessidades contemporâneas de inovação e sustentabilidade.
O evento contou com a participação de especialistas em geopolítica e economia mineral, incluindo Ana Paula Bittencourt, Secretária Nacional de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do MME. Em sua fala, ela sublinhou a ligação entre a transição energética e a soberania nacional, destacando a necessidade do Brasil se consolidar como um protagonista na nova economia verde. A cadeia de valor dos minerais críticos, segundo Bittencourt, está no cerne das disputas geopolíticas atuais, o que demanda avanços em governança e segurança jurídica.
Para transformar recursos naturais em ativos estratégicos, o Brasil precisa agregar valor investindo em tecnologias que melhorem o ciclo produtivo. Isso não só garante desenvolvimento econômico, mas também contribui para a geração de renda e a criação de empregos. Importante o papel da mineração na economia, mas crucial é fazê-la de maneira sustentável e eficiente, garantindo que todos se beneficiem dessa riqueza natural.
Por fim, o simpósio sobre transição energética, segurança mineral e geopolítica não só forneceu uma plataforma para o diálogo, mas também reafirmou o papel do Brasil como um player vital em um mundo em constante mudança. O compromisso com a inovação, a sustentabilidade e a regulação eficiente será fundamental para o futuro do setor, assegurando que o país possa atender às demandas do mercado interno e externo.