Retomada econômica rural é o foco do novo investimento do Governo do Brasil, que promete injetar R$ 1,3 bilhão nas comunidades de 49 municípios na Bacia do Rio Doce, nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo. Este anúncio será formalizado em Mariana (MG), nesta segunda-feira (22/6), pela ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, e a presidenta da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), Loroana Santana.
As iniciativas se enquadram no eixo rural do Novo Acordo do Rio Doce, sendo coordenadas pelo MDA e executadas pela Anater através da Gerência Extraordinária de Reparação do Rio Doce. O objetivo é fortalecer a agricultura familiar, os assentamentos de reforma agrária, e as comunidades tradicionais específicas, impactadas pela tragédia do rompimento da Barragem de Fundão.
Desde 2025, o MDA e a Anater têm uma presença ativa nos territórios afetados, em virtude da repactuação do acordo que foi garantida pelo presidente Lula em novembro de 2024. O novo investimento destina-se a ações estruturantes de reparação que foram co-criadas com a participação comunitária. O enfoque é fazer da Bacia do Rio Doce um exemplo de desenvolvimento socioeconômico alinhado com as necessidades das pessoas e do seu território.
“O investimento de R$ 1,3 bilhão vai catalisar a fortificação econômica das comunidades rurais,” destacou a ministra Fernanda Machiaveli. As ações fazem parte da estratégia Rio+Doce Rural, que busca aumentar a produção de alimentos saudáveis com certificação de origem, garantir renda, acesso a crédito e novos mercados.
Um aspecto essencial da retomada econômica rural será a regularização fundiária e ambiental gratuita para as comunidades, além da recuperação dos solos e a promoção de soluções digitais que apoiem as cadeias produtivas locais. O governo também está comprometido com a agroindustrialização e a recuperação agroecológica dos assentamentos, visando criar uma economia comunitária mais robusta.
“A tragédia de Mariana interrompeu vidas e laços comunitários. Agora, com esses investimentos, queremos escrever uma nova história para a Bacia. Estamos priorizando o desenvolvimento econômico e a recuperação ambiental para as famílias afetadas”, afirmou a ministra.
No primeiro ano deste programa, o MDA e a Anater já proporcionaram um impacto significativo através do Programa de Transferência Rural (PTR-Rural). Nesse programa, foram transferidos R$ 418,7 milhões para atender a 14.667 agricultores e agricultoras, fornecendo apoio a mais de 100 mil pessoas afetadas em Minas Gerais e Espírito Santo. Isso foi realizado por meio de 20 Assessorias Técnicas Independentes (ATIs) contratadas pela Anater.
A presidenta Loroana Santana ressaltou a importância das consultas realizadas com os Garimpeiros Tradicionais e Faiscadores, dois grupos importantes da Bacia, que também se beneficiarão dos recursos do Novo Acordo. Após um ano de interação com essas comunidades, foi destinado um investimento de R$ 4,5 milhões, permitindo que esses grupos participassem ativamente do processo de reparação.
As ações incluem diversas iniciativas como o Projeto Rio Doce Sustentável, que buscará regularizar fundiária e ambientalmente 40 mil famílias, e o ProDoce, que visa recuperar a capacidade produtiva do solo. Essas medidas são parte de um esforço mais amplo para revitalizar a economia rural e restaurar a biodiversidade da região.
Os investimentos serão aplicados em várias frentes, incluindo o fortalecimento dos sistemas agroecológicos e a implementação de técnicas sustentáveis na agricultura, assegurando que o desenvolvimento econômico e a conservação ambiental caminhem lado a lado.
Além disso, haverá um impulso significativo na relação com as mulheres rurais, com investimentos focados na estruturação de quintais produtivos para duas mil mulheres que se encontraram em situação de vulnerabilidade econômica. O objetivo é garantir renda, autonomia e acesso a mercados institucionais.
Assim, a retomada econômica rural se apresenta não apenas como um plano de ação imediata, mas como uma construção coletiva para um futuro mais equilibrado e sustentável para as comunidades da Bacia do Rio Doce.