Quelônios são essenciais para a biodiversidade e, em 2026, mais de 56 mil filhotes foram soltos em comunidades da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Uatumã. Essa ação é parte fundamental das iniciativas de conservação desenvolvidas nas comunidades da Unidade de Conservação, com o apoio da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) e a ativa participação dos moradores.
A soltura de quelônios representa um marco importante para as comunidades ribeirinhas, simbolizando o esforço coletivo em prol da proteção dessas espécies. Segundo Amanda Botelho Gomes, gerente da RDS Uatumã, a participação da comunidade nas ações fortalece seu papel como protagonistas na conservação da biodiversidade local.
Entre janeiro e março, as solturas de quelônios ocorreram em várias comunidades, destacando-se a comunidade Enseada, onde aproximadamente 40 mil filhotes foram devolvidos ao seu habitat natural em um único evento no dia 22 de fevereiro. Outras comunidades, como Amaro, Araras, Caioé, Maxilane, Maracaranã, São Benedito, Abacate, Manaim, Livramento e Bom Jesus, também contribuíram significativamente para essa ação de soltura, totalizando números de filhotes que mostram o engajamento da população local.
A estratégia de manejo adotada segue os princípios do Projeto Pé-de-Pincha, desenvolvido pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam). O projeto envolve as comunidades ribeirinhas na proteção dos locais de desova de quelônios, abrangendo atividades como o monitoramento de praias, a coleta e proteção de ninhos, a transferência de ovos para áreas seguras e o acompanhamento do processo de nascimento dos filhotes até a soltura.
Esse modelo de manejo comunitário é essencial para a recuperação das populações de quelônios na região Amazônica. Ao responsabilizar os moradores pela proteção das espécies, o projeto não apenas combate a coleta ilegal de ovos, mas também desenvolve a consciência ambiental nas comunidades, promovendo um relacionamento mais harmonioso entre os humanos e a natureza.
A participação das comunidades é vista como um fator crucial para o sucesso das ações de conservação na RDS do Uatumã. Os moradores atuam como monitores ambientais, desempenhando um papel ativo no processo de manejo e reforçando a proteção das áreas onde ocorrem as desovas de quelônios.
Iracy Cleide Oliveira, uma moradora da comunidade Enseada e monitora de quelônios, expressou seu agradecimento a todos os envolvidos na iniciativa. Para Iracy, o trabalho coletivo resulta em um impacto positivo na preservação das espécies e na conscientização ambiental entre as pessoas da região. “Eu quero agradecer a todos, principalmente meus professores, que foram os meus monitores, que me ensinaram a cuidar dessas belezas, dessas lindezas aqui. Muito obrigada, meus professores. Vocês foram demais”, disse ela.
Iracy enfatizou a importância de continuar levando adiante esse trabalho colaborativo. “Que nós continuemos levando esse trabalho muito além. Que isso possa fazer outras pessoas verem que realmente vale a pena viver. Viver e cuidar, zelar pela natureza”, completou ela, destacando o impacto positivo das ações comunitárias na proteção dos quelônios e no fortalecimento das relações com o meio ambiente.
As ações realizadas em 2026 são uma prova de que, quando as comunidades se unem, é possível promover a conservação efetiva e sustentável dos quelônios e da biodiversidade. A luta pelos quelônios é, portanto, uma luta por um futuro mais verde e consciente para todos. Vamos torcer para que essa história de sucesso continue a se multiplar, inspirando outras regiões a seguir o mesmo caminho de preservação e engajamento comunitário.