Preços da indústria começam com uma variação de 0,34% em janeiro, em comparação a dezembro, quando a variação foi de apenas 0,14%. Esse incremento é notavelmente influenciado pelo setor de metalurgia, que registrou uma impressionante variação positiva de 2,73%. Essa é a segunda taxa positiva consecutiva após uma sequência de 10 meses negativos, que ocorreram entre fevereiro e novembro de 2025. Embora os preços da indústria tenham mostrado esse aumento em janeiro, nos últimos 12 meses, o Índice de Preços ao Produtor (IPP) apresentou uma queda acumulada de 4,33%. Em janeiro de 2025, por exemplo, a variação mensal foi de apenas 0,15%.
Essas informações foram divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que acompanha os preços de produtos ‘na porta de fábrica’, desconsiderando impostos e fretes. A pesquisa abrange as principais categorias econômicas, demonstrando a dinâmica dos preços industriais em várias atividades.
Dentre as 24 atividades industriais investigadas na pesquisa, um total de 15 demonstrou variações positivas de preço em relação ao mês anterior. Em dezembro, 14 setores haviam registrado aumentos em seus preços médios. As quatro principais variações positivas foram vistas nos setores de metalurgia (2,73%), impressão (2,73%), outros produtos químicos (1,70%) e perfumaria, sabões e produtos de limpeza (1,67%).
Uma variável importante que geralmente ajuda a explicar os resultados do IPP é a taxa de câmbio. Recentemente, essa variável não apenas ajudou a explicar o desempenho do IPP no acumulado de 12 meses — quando o dólar caiu 11,3% frente ao real — mas também impactou a variação de dezembro para janeiro. Apesar do dólar ter caído 2,1%, o IPP apresentou uma variação positiva, indicando que existiram outros fatores favorecendo esse aumento.
Murilo Alvim, gerente do IPP, destaca que a maior influência do setor de metalurgia no índice mensal pode ser atribuída ao aumento dos preços dos metais não ferrosos. ‘O setor de metalurgia apresentou a maior variação e a maior influência no indicador mensal do IPP, com uma alta de 2,73%. Essa alta foi puxada, principalmente, pelo aumento dos preços dos metais não ferrosos, como o ouro e o cobre, que está enfrentando um déficit de oferta e baixos estoques’, explica Alvim.
Analisando a influência do setor de metalurgia, podemos observar que ele foi responsável por 0,18 ponto percentual (p.p.) no aumento de 0,34% da indústria em geral. Outras atividades que se destacaram foram outros produtos químicos, com 0,13 p.p. de influência, e refino de petróleo e biocombustíveis, que tiveram uma queda de -0,07 p.p. A contribuição do setor de alimentos, com alta representatividade no IPP (cerca de 24% da pesquisa), foi negativa, com uma variação de -0,17% na comparação de dezembro para janeiro, marcando assim o nono mês consecutivo de resultados negativos, acumulando 9,84% de retração nos últimos 12 meses.
O relatório detalha que as quedas nos preços estão afetando todos os grupos econômicos, mas o maior destaque vai para o açúcar, que teve uma queda acumulada de 28,30% no período, motivada por uma oferta global abundante e alta produtividade. Essa situação acaba sendo influenciada pelas flutuações do dólar em relação ao real.
Em termos de categorias econômicas, o resultado de janeiro mostrou -0,70% de variação em bens de capital (BK), 0,54% em bens intermediários (BI) e 0,26% em bens de consumo (BC). A principal influência no índice geral foi exercida pelos bens intermediários, respondendo por 0,29 p.p. da variação de 0,34% nas indústrias extrativas e de transformação.
Para concluir, o IPP é um indicador macroeconômico essencial que monitora a mudança média nos preços de venda recebidos pelos produtores domésticos ao longo do tempo. A próxima divulgação do IPP referente a fevereiro está programada para o dia 31 de março. Compreender as variações nos preços da indústria é fundamental para a tomada de decisões tanto no setor público quanto no privado.