Mulher no esporte é um tema central nas discussões atuais sobre igualdade de gênero e promoção da equidade nas práticas esportivas. Recentemente, o Ministério do Esporte (MEsp) participou do III Fórum Mulher no Esporte, evento promovido pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB) em Brasília. A secretária nacional de Excelência Esportiva, Iziane Marques, foi a representante do MEsp e destacou os avanços importantes e os desafios que as mulheres enfrentam no ambiente esportivo.
Durante o evento, lideranças nacionais e internacionais, atletas, gestores e pesquisadores se reuniram para debater estratégias que visam não apenas promover a presença feminina no esporte, mas também fortalecer o protagonismo da mulher no eixo central do Movimento Olímpico. Essa iniciativa é fundamental para garantir que as mulheres tenham voz e vez em um espaço historicamente dominado por homens.
A secretária Iziane enfatizou que o Brasil está em um momento de consolidação de políticas públicas focadas na equidade de gênero. O programa Bolsa Atleta, por exemplo, passou a incluir gestantes e puérperas, uma ação considerada revolucionária para permitir que mais mulheres permaneçam no alto rendimento esportivo. “Hoje, essa discussão já virou ação”, disse Iziane, reafirmando o compromisso do governo em garantir igualdade e equidade nos programas esportivos.
Entretanto, desafios ainda persistem. A construção de uma linha de cuidado integral para a mulher atleta é um dos principais gargalos. A conciliação entre a vida profissional no esporte e a vida familiar é um aspecto que ainda precisa de atenção. “Precisamos integrar políticas que considerem todas as fases da vida dessas atletas”, explicou Iziane Marques.
Ampliar o acesso ao esporte é uma prioridade e uma das frentes de atuação que foi abordada no fórum. Quando as mulheres se vêem representadas, elas se sentem motivadas a ocupar esses espaços. Por essa razão, garantir a presença feminina em todas as esferas do esporte, desde a base até a gestão, é crucial. A programação do evento incluiu debates sobre governança, liderança feminina, saúde da mulher atleta e a representação midiática das mulheres no esporte.
Os painéis discutiram políticas de equidade no Movimento Olímpico, ressaltando a importância de se considerar gestação, pós-parto e o retorno das atletas ao alto rendimento. A forma como as mulheres são retratadas no esporte e na sociedade também foi alvo de reflexão crítica, evidenciando a necessidade de uma mudança cultural nesse sentido.
A coordenadora-geral de Educação da ABCD, Ana Bonetti, também esteve presente e abordou a relação entre a educação e a integridade esportiva como ferramentas essenciais para diminuir desigualdades. Segundo ela, a representatividade é vital para a permanência das meninas no esporte, visto que estudos revelam que cerca de 49% das adolescentes abandonam a prática esportiva. Ana afirmou: “Precisamos garantir respeito, referências e acesso à informação”.
A atuação da ABCD se alinha ao fortalecimento de um ambiente esportivo ético e seguro. A educação antidopagem, por exemplo, insere-se em um conceito mais amplo de integridade e visa formar atletas que conheçam as regras e valores do esporte desde a base. Durante o Fórum, iniciativas voltadas para a formação de crianças e adolescentes, especialmente do público feminino, foram destacadas como essencial para o futuro do esporte.
Além de Iziane Marques e Ana Bonetti, o evento contou com a presença de outras personalidades influentes, como o treinador multifacetado José Roberto Guimarães e a bicampeã olímpica Adriana Samuel. O caráter plural e estratégico deste fórum é um passo a mais na luta por igualdade de gênero no esporte.
Mulher no esporte não é apenas uma questão de políticas, mas sim um movimento em direção a um futuro onde a presença feminina é respeitada e celebrada. É fundamental continuar esse diálogo, assegurar ações práticas e tornar o esporte um campo realmente inclusivo para todas as mulheres.