Mostra de filmes acessíveis foi um evento marcante realizado no Teatro Gebes Medeiros, onde foram exibidos curtas-metragens criados por alunos de uma oficina de audiovisual acessível. Este projeto inovador, chamado Vozes Visuais, é dedicado a pessoas cegas e com baixa visão, buscando ampliar seu protagonismo no universo da cultura. Durante a oficina, os participantes tiveram a oportunidade de explorar a produção cinematográfica, desde a criação de roteiros até a gravação e edição dos filmes.
A idealizadora do projeto, Keylla Gomes, que atua como produtora cultural e psicóloga, enfatizou a importância de tornar a cultura acessível a todos. “A gente fala muito sobre acessibilidade, mas normalmente pensa essas pessoas como público, como plateia. O Vozes Visuais propõe o contrário: coloca pessoas cegas e com baixa visão como protagonistas, como produtoras de cultura e agentes culturais”, explicou Keylla, ressaltando a necessidade de inclusão das pessoas com deficiência visual em processos criativos.
Durante as oficinas da Mostra de filmes acessíveis, um total de 14 alunos se envolveram ativamente na criação de suas obras. Utilizando sons do cotidiano, vozes, objetos e elementos naturais, os participantes conseguiram narrar histórias de forma inovadora, mostrando que a linguagem cinematográfica pode ir além do visual. Essa abordagem permite a construção de narrativas que exploram experiências sensoriais diversas, ampliando as possibilidades artísticas para todos os envolvidos.
A auxiliar de produção Antônia Barroso compartilhou seu entusiasmo com o caráter inovador do projeto. “Os próprios alunos conduziram os processos criativos e técnicos. Isso incluiu oficinas de roteiro, gravação e edição, onde os estudantes participaram da escolha das cenas e das trilhas sonoras”, disse Antônia. O uso de recursos tecnológicos acessíveis foi fundamental para permitir que todos pudessem expressar suas visões artísticas.
Os curtas exibidos na Mostra de filmes acessíveis não apenas mostraram a criatividade dos alunos, mas também foram um reflexo de suas vivências e desafios. Sibele Alves, uma das participantes, ressaltou a importância da iniciativa para a inclusão. “Foi uma experiência muito gratificante. Nós aprendemos a fazer roteiro, gravar e montar os filmes. Isso abriu novos horizontes e mostrou possibilidades que muitas vezes não imaginávamos”, contou Sibele, expressando a felicidade em fazer parte de algo significativo.
Após a exibição dos curtas, o público teve a chance de participar de uma roda de conversa com os realizadores, que compartilharam suas experiências, desafios e aprendizados adquiridos ao longo da formação. Esse espaço de diálogo foi essencial para fortalecer a comunidade e valorizar o esforço de cada um na criação de suas narrativas.
A Mostra de filmes acessíveis não apenas promoveu novas narrativas, mas também destacou a capacidade dos realizadores em transformar sons, memórias e experiências do cotidiano em uma linguagem cinematográfica rica e diversificada. O projeto Vozes Visuais é um exemplo inspirador de como a arte e a inclusão podem caminhar lado a lado, levando à valorização e ao protagonismo de pessoas cegas e com baixa visão no cenário cultural.