Monitoramento de mercúrio é uma prioridade na pesquisa ambiental e agora conta com avanços significativos no Estado do Amazonas. Recentemente, a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) instalou a maior plataforma de monitoramento de contaminação por mercúrio da Região Norte, um marco importante para as ciências ambientais na região.
O Programa de Monitoramento de Água, Ar e Solos do Estado do Amazonas (ProQAS/AM) traz inovações tecnológicas que possibilitam análises mais completas de água, ar e solos. Os novos equipamentos foram anunciados pelo coordenador do programa, Sergio Duvoisin Junior, em uma coletiva de imprensa. Com essa plataforma, a UEA poderá ampliar suas pesquisas sobre a contaminação por mercúrio, contribuindo para uma melhor compreensão do impacto desse metal na biodiversidade amazônica.
Desde 2023, o ProQAS/AM já faz a monitorização do mercúrio em colaboração com a Universidade Harvard. O foco da pesquisa é em três espécies de mercúrio: o metálico, o iônico e o metilmercúrio. Este último é especialmente preocupante, pois é a forma mais tóxica e bioacumulativa, e pode causar sérios danos ao sistema nervoso humano, especialmente em gestantes.
Com a nova plataforma instalada na Escola Superior de Tecnologia (EST) da UEA, as amostras coletadas durante as expedições pelo rio Madeira podem ser analisadas localmente. Essa mudança reduz significativamente a dependência de laboratórios de outros estados e ainda encurta o tempo de entrega dos resultados. Análises que anteriormente levavam até três meses serão concluídas em menos de um mês graças a essa nova tecnologia.
Além de otimizar os prazos, a nova estrutura fortalece a capacidade científica da UEA, colocando a universidade em um patamar comparável a instituições renomadas globalmente, como Harvard. Conforme mencionado por Sergio Duvoisin Junior, a implantação do monitoramento de mercúrio é uma oportunidade para troca de experiências entre as instituições, beneficiando a formação de profissionais locais.
Dentre as funcionalidades da nova plataforma, destaca-se a capacidade de realizar análises isotópicas para identificar a origem da contaminação. Isso representa um avanço não apenas para a UEA, mas também para a ciência ambiental na Amazônia, que agora poderá ser mais abrangente e eficaz.
O reitor da UEA, André Zogahib, ressaltou que esse investimento é estratégico para consolidar a universidade como referência em pesquisa ambiental na Região Norte, promovendo a inovação e formação de profissionais qualificados para enfrentar desafios ecológicos. O ProQAS/AM atualmente envolve 15 projetos de pesquisa e é apoiado por diversas instituições, demonstrando a importância do monitoramento de mercúrio e a colaboração entre diferentes entidades.
Nesta nova expedição pelo rio Madeira, uma equipe de oito pesquisadores e cinco tripulantes analisará 164 parâmetros, incluindo elementos físicos e químicos, assim como a presença de metais. O trajeto percorrerá 54 pontos de coleta, o que reforça a abrangência e a relevância do monitoramento de mercúrio na região.
As equipes da UEA e de Harvard, embora compartilhem o mesmo objetivo de entender a contaminação, abordam o assunto com hipóteses diferentes. Enquanto a UEA investiga a influência de bactérias encontradas no fundo do rio, Harvard se concentra na relação entre mercúrio e macrófitas aquáticas. Essa diversidade de abordagens enriquece a pesquisa e contribui para um panorama mais detalhado sobre a situação do mercúrio na Amazônia.
Portanto, o monitoramento de mercúrio na UEA não apenas melhora a eficiência da pesquisa científica, mas também promove um entendimento mais profundo das interações ecológicas e dos riscos associados à contaminação por mercúrio, um passo significativo para a proteção do meio ambiente na Amazônia.