Meninas de Luta é um projeto inovador que foi lançado no dia 31 de outubro pelo Ministério das Mulheres, em parceria com o Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), no campus de João Câmara. O objetivo deste projeto é enfrentar a violência de gênero, promovendo a autonomia e a segurança de meninas e mulheres através de uma formação completa.
A iniciativa, intitulada “Meninas de Luta: Voz, Força e Autonomia”, é direcionada para alunas do IFRN e suas mães ou responsáveis. O projeto oferece formação em defesa pessoal, ações socioeducativas e apoio psicossocial. A coordenadora da iniciativa, Terlúcia Silva, reafirma o compromisso do IFRN com a prevenção da violência, destacando que “Meninas de Luta” é essencial para fortalecer meninas e mulheres nos nove campi do IFRN.
Cada dupla selecionada, composta por uma aluna e sua mãe ou responsável, receberá um incentivo mensal de R$ 300, facilitando o engajamento das famílias nesta causa significativa. O projeto busca não apenas apoiar diretamente as participantes, mas também disseminar informações e construir uma cultura de prevenção à violência nos ambientes educacionais, contribuindo para a cidadania e o protagonismo feminino.
O caráter abrangente do projeto “Meninas de Luta” será implementado em nove campi, que incluem: Currais Novos, João Câmara, Lajes, Mossoró, Pau dos Ferros, Santa Cruz, São Gonçalo do Amarante, São Paulo do Potengi e Zona Norte. As atividades serão centralizadas no Campus João Câmara, onde haverá articulação, acompanhamento e monitoramento da proposta.
Terlúcia Silva enfatizou que um dos diferenciais do projeto é a colaboração com as famílias, que se tornam parte ativa no reconhecimento e enfrentamento da violência de gênero. “Além da prevenção, ainda existe a perspectiva da autodefesa feminina, que é vital para o empoderamento das meninas”, destacou a diretora.
O evento de lançamento contou com a presença de autoridades, estudantes e membros da comunidade acadêmica, criando um ambiente de emoção e engajamento. O público pôde assistir a vídeos inspiradores, onde figuras públicas, como a ministra do STF, Cármen Lúcia, enviaram mensagens contra o feminicídio. Também houve apresentações artísticas por parte de estudantes, que enriqueceram a programação do evento.
Aluna do IFRN, Maria Camily Barbosa, de 17 anos, expressou suas preocupações com a segurança, afirmando que a motivação para participar do projeto é poder se sentir mais segura ao andar nas ruas. “Os casos de feminicídio são assustadores, e ter minha mãe como parceira neste projeto me proporciona um conforto e uma segurança enormes”, disse a jovem.
Outra aluna, Maria Fernanda Cândida Sousa dos Santos, destacou a relevância do projeto na sua vida. “Espero sair dele me sentindo mais segura e entendendo melhor os meus direitos. A participação da minha família é muito importante e me dá motivação para continuar”, declarou.
A coordenadora do projeto no IFRN, Liaria Nunes, reforçou a abordagem de fortalecimento dos vínculos familiares como uma estratégia crucial na luta contra a violência de gênero. “Estamos também fortalecendo os laços familiares e potencializando a disseminação do conhecimento sobre violência dentro do estado”, afirmou.
Júlia Arruda, secretária estadual da Mulher, Juventude e Igualdade Racial, ressaltou a importância da articulação entre instituições e afirmou que a iniciativa representa uma parceria sólida com o Ministério das Mulheres. O evento culminou na assinatura de um documento de adesão ao Pacto Brasil entre os Três Poderes, que busca enfrentar o feminicídio no país.
O reitor do IFRN, José Arnóbio, concluiu a cerimônia ressaltando o papel vital de todos — especialmente dos homens — na transformação dessa realidade, promovendo a união entre todos para erradicar a violência. Com “Meninas de Luta: Voz, Força e Autonomia”, o IFRN reafirma seu compromisso em educar, proteger e empoderar as futuras gerações.