Funarte e Teatro Oficina são símbolos da luta e das conquistas artísticas no Brasil. No mês de março, que é repleto de celebrações, a Funarte, que completou 50 anos, promoveu um evento especial em homenagem ao Teatro Oficina. Este evento foi parte da 11ª edição da MITsp – Mostra Internacional de Teatro de São Paulo.
A Fundação Nacional de Artes (Funarte) é uma entidade vinculada ao Ministério da Cultura (MinC) que persegue a preservação e promoção das artes no Brasil. Uma de suas missões é garantir que a memória artística do país seja respeitada e celebrada. O evento do dia 12 de março não apenas celebrou as artes, mas também lançou o livro “Teatro Oficina: fotografias Lenise Pinheiro – Vol. 2”, que é um testemunho visual da rica história deste teatro e da prática artística no Brasil.
Lenise Pinheiro, uma renomada fotógrafa que recebeu o título de mestra das artes pela Funarte, tem um dos mais significativos acervos de fotografia teatral do país. Ela se uniu a outros membros da comunidade artística, como a presidenta da Funarte, Maria Marighella, e os artistas Camila Mota e Marcelo Drummond, para discutir a importância da arte e a preservação da memória teatral durante uma roda de conversa.
A Funarte enfatiza a relevância da memória na sua atuação, criando a Diretoria de Memória, Pesquisa e Produção de Conteúdos (DIMEMO) e reabrindo o Centro de Documentação e Pesquisa (CEDOC Funarte) para apoiar essa preservação. O Programa Funarte Memória das Artes, que inclui prêmios e bolsas para artistas, é uma das formas pelas quais a instituição busca garantir que as tradições e histórias que formaram a cena artística brasileira sejam mantidas e respeitadas.
Durante a roda de conversa, Maria Marighella começou sua intervenção com um canto de samba de roda, homenageando o Teatro Oficina como uma casa do povo, uma casa de artes. Ela ressaltou a importância de celebrar os 50 anos da Funarte, não como um mero ato comemorativo, mas como um momento para partilhar e discutir o futuro das artes no Brasil.
A presença do fundador do Teatro Oficina, José Celso Martinez Corrêa, foi sentida durante todo o evento, com vários depoimentos que ressaltaram seu legado. A jornalista e crítica Claudio Leal, organizador de um livro sobre José Celso, destacou que o lançamento do livro de Lenise marca um momento de reversão no cenário cultural do Brasil, destacando a importância histórica e política da arte nesse contexto.
A continuidade do Teatro Oficina, reforçada por Camila Mota e Marcelo Drummond, é uma prova da persistência e do legado de Zé Celso, um convite constante para manter vivas todas as expressões artísticas. O evento não se restringiu à conversa, mas culminou em uma apresentação teatral, com a exibição do espetáculo “Senhora dos Afogados”, um dos clássicos de Nelson Rodrigues, dirigida por Monique Gardenberg.
Maria Marighella, novamente, fez um discurso tocante antes da peça, apresentando a Política Nacional das Artes (PNA) como uma conquista de sua gestão. Ela discutiu três vocações da Funarte, incluindo a difusão e democratização de acesso às artes. O foco não é apenas em proteger as riquezas artísticas do Brasil, mas também em promovê-las e distribuí-las de maneira justa.
Assim, Funarte e Teatro Oficina se unem para celebrar a memória das artes brasileiras, promovendo uma reflexão sobre o passado e criando um espaço seguro para o futuro das artes no Brasil. Neste contexto, fica claro que a força da arte não reside apenas nas performances, mas também na preservação de sua história e na inclusão de todos os que fazem parte deste rico mosaico cultural.