Formação de pilotas começa aqui. O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) está determinado a aumentar a presença feminina na aviação civil através de iniciativas que focam na formação de pilotas e mecânicas de manutenção aeronáutica. Essas ações, geridas pela Secretaria de Aviação Civil (SAC), visam diminuir desigualdades históricas e promover oportunidades para mulheres, especialmente em regiões como o semiárido nordestino do Brasil.
A formação de pilotas surge como uma resposta a um cenário preocupante: apenas 3% dos pilotos no Brasil são mulheres, em comparação com 64.472 homens. No segmento de mecânicos de manutenção aeronáutica, a situação se repete, refletindo a mesma desproporção de 3% em um universo de mais de 30 mil profissionais. Entretanto, um ponto positivo é observado no âmbito dos comissários de voo, onde as mulheres compõem 66% do total.
De acordo com o secretário de Aviação Civil, Daniel Longo, as iniciativas de formação de pilotas e de mecânicas atuam em conjunto para reformar a estrutura do setor aéreo. “Estamos fazendo progressos em várias frentes, desde a formação de pilotas até a capacitação de mecânicas, para assegurar que um maior número de mulheres tenha acesso a carreiras estratégicas na aviação. Isso não só melhora a qualidade do setor, como também amplifica as oportunidades de desenvolvimento”, ressalta Longo.
A formação de pilotas é um dos eixos principais das ações do MPor. O programa Asas para Todos foi criado para apoiar a capacitação de mulheres interessadas nos cursos de piloto privado e piloto comercial, ajudando a resolver a demanda crescente por profissionais qualificados e fortalecendo a aviação regional.
Esse ano, 842 candidatos se inscreveram no processo seletivo para o programa, dos quais 20 foram selecionados, garantindo que 50% das vagas sejam ocupadas por mulheres. Com previsão de conclusão em dezembro de 2026, a formação se compõe de 183 horas de voo, além de um curso de inglês para certificação internacional, criando um caminho claro para a formação de pilotas capazes e preparadas para enfrentar o mercado.
Simultaneamente, o MPor também investe na formação de mecânicas de manutenção aeronáutica, oferecendo cursos focados em áreas-chave como célula, aviônicos e grupo motopropulsor. Esta iniciativa busca ampliar o acesso de mulheres a uma carreira fundamental para a segurança operacional e o funcionamento eficaz da aviação.
Yasmin Selieli, uma das alunas do curso de formação de pilotas, exemplifica o impacto positivo que essas iniciativas podem ter na vida das mulheres. “Eu sempre gostei da aviação, mas nunca tive muitas oportunidades. Me formei em enfermagem e estava perdida, sem saber o que fazer. Quando vi o curso, percebi que era a chance que eu precisava, porque não tenho condições de pagar por uma formação dessas”, afirma Yasmin.
Ela também enfatiza a importância de criar um ambiente acolhedor para as mulheres que entram nesse campo. “Estou com expectativas muito altas. Me senti motivada, acolhida e com esperança de que dessa vez as coisas vão dar certo”, acrescenta. Yasmin ressalta também que é crucial aumentar a presença feminina no setor aéreo: “A gente é maioria na população, então onde estão essas mulheres? Muitas vezes faltam oportunidades ou há medo de desrespeito. Projetos como esse são fundamentais para mudar essa realidade”, conclui.
A formação de pilotas e mecânicas não é apenas uma ação do governo, mas uma oportunidade de transformação social que busca acabar com os estigmas e barreiras que historicamente limitaram a presença feminina nas áreas técnicas e operacionais da aviação. As iniciativas do MPor se destacam como peças-chave para construir um futuro igualitário e diversificado na aviação brasileira, inspirando outras mulheres a abrirem novos voos.