Espécies migratórias são fundamentais para a biodiversidade e a manutenção dos ecossistemas, e no Brasil, essa questão ganha destaque em eventos internacionais como a COP 15. A partir de 23 de março, o Brasil está sediando a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS) em Campo Grande (MS). Este evento é uma oportunidade vital para discutir e implementar ações de proteção para 1.189 espécies migratórias que são protegidas pelo tratado. Com a participação de diversos países, o foco está em fazer com que a proteção desses animais transborde fronteiras, sendo essencial a cooperação internacional. A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, enfatiza a importância da colaboração e da ciência compartilhada para garantir a sobrevivência dessas espécies. “As espécies migratórias não reconhecem fronteiras. Por isso, protegê-las exige ação coordenada”, ressalta. O Brasil, como anfitrião da COP 15, está liderando o caminho na proteção das espécies migratórias, destacando-se por suas iniciativas, como a criação de Unidades de Conservação (UCs), que são essenciais para a preservação desses animais. As UCs, como a nova Área de Proteção Ambiental (APA) do Albardão, são exemplos concretos de como o país está se esforçando para proteger 30% de seus ambientes marinhos até 2030, conforme o Marco de Kunming-Montreal. Os dados do relatório Estado das Espécies Migratórias do Mundo (2024) reforçam a urgência da conservação, revelando que uma em cada cinco espécies listadas pela CMS enfrenta riscos de extinção. Neste contexto, a inclusão de novas espécies migratórias à listagem oficial será debatida na COP 15. Dentre as espécies em destaque, notamos a Baleia-jubarte (Megaptera novaeangliae), que migra entre a Antártida e o litoral brasileiro, e a Onça-pintada (Panthera onca), que, apesar de não migrar longas distâncias, depende da conectividade entre biomas para sua sobrevivência. A Tartaruga-verde (Chelonia mydas) também se destaca, migrando entre áreas de alimentação e desova, tendo praias do Brasil como habitat crucial. Além disso, o Tubarão-mangona (Carcharias taurus), em situação crítica, requer políticas de proteção mais rígidas. Os Bagres Migratórios, como a Dourada, realizam a maior migração de água doce do mundo, demandando sistemas fluviais preservados. O Brasil está unindo esforços com outros países para criar um Plano de Ação para essa espécie. O Albatroz-errante (Diomedea exulans) e o Maçarico-acanelado (Calidris subruficollis) são outras espécies lindas que precisam de nossa atenção e proteção. Ao longo da COP 15, será discutido como a conectividade entre habitats é crucial para o sucesso das migrações e conservação das espécies migratórias. O tratado da CMS, ativo desde 1979, visa reunir todos os países para decisões relacionadas à proteção das espécies migratórias, tornando-se crucial para garantir a preservação de habitats e rotas migratórias. O compromisso do Brasil com a conservação das espécies migratórias é um passo significativo para assegurar um futuro sustentável. É vital que as políticas públicas e iniciativas privadas continuem colaborando para enfrentar os desafios da preservação efetiva da fauna migratória. A proteção das espécies migratórias é responsabilidade de todos – governos, comunidades e a sociedade civil. A COP 15 não é apenas um evento, mas um compromisso global para um futuro onde todas as espécies migratórias possam sobreviver e prosperar.