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‘Principal política que retomamos foi a demarcação de terras indígenas’, diz Eloy Terena

9 de abril de 2026
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Demarcação de terras indígenas é uma das principais políticas públicas do Brasil. Desde a criação do Ministério dos Povos Indígenas em 2023, o país alcançou a homologação de 20 territórios indígenas e a constituição de 31 reservas. Com um total de 3,7 milhões de hectares de terras protegidas, essas medidas visam garantir os direitos dos 391 povos indígenas reconhecidos pelo governo.

O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, enfatiza que a demarcação de terras indígenas é fundamental para fortalecer as culturas e tradições dos povos que habitam esses territórios. “A demarcação de terras indígenas é, sem dúvida, a principal política pública para os povos indígenas. Para avançar em outras questões, como saúde e educação, é essencial tratar primeiro do território”, afirmou.

Durante os últimos anos, as demarcações enfrentaram um período de estagnação, mas a atual administração vem fazendo esforços significativos para reverter esse cenário. O retorno à demarcação de terras indígenas representa não apenas a proteção territorial, mas também o compromisso do governo em reconhecer e respeitar os modos de vida dos povos indígenas.

O Brasil abriga cerca de 105 milhões de hectares de terras indígenas, que representam aproximadamente 13,8% do território nacional. Mesmo com os avanços já alcançados, o ministro destaca que é necessário acelerar o processo de demarcação. “Ainda temos um passivo grande de terras que precisam ser demarcadas, principalmente nas regiões do Nordeste e Centro-Oeste”, alertou Terena.

As críticas sobre a quantidade de terras destinadas aos povos indígenas são comuns, mas o ministro esclarece que essas terras desempenham papéis vitais, não apenas na preservação cultural, mas também no equilíbrio climático, beneficiando toda a sociedade brasileira. “Os territórios indígenas são patrimônio público e têm um impacto significativo na preservação de recursos hídricos e na manutenção do meio ambiente”, disse ele.

A demarcação de terras indígenas foi prevista na Constituição de 1988, que estabeleceu um prazo de cinco anos para a conclusão do processo. No entanto, esse prazo já foi extrapolado, e muitos conflitos territoriais permanecem sem resolução. “Ainda há diversas reivindicações de demarcação que precisam ser atendidas, especialmente em áreas onde os conflitos são mais intensos”, afirmou o ministro.

Além disso, a gestão da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) é um ponto de destaque nas discussões atuais. Eloy Terena critica os retrocessos na administração da Funai em anos anteriores e destaca a importância de fortalecer o órgão, que é responsável por quase 14% do território nacional. Desde 2023, a Funai viu seu orçamento triplicar, o que é um passo importante, mas, segundo o ministro, ainda é insuficiente.

Durante a entrevista, o ministro enfatizou a importância de um diálogo respeitoso e colaborativo com os povos indígenas quando se trata de desenvolvimento, especialmente em relação a projetos como hidrelétricas e rodovias que afetam suas terras. “Povos indígenas não estão contra o desenvolvimento, mas buscam ser ouvidos e consultados”, afirmou.

A postura do governo em relação à demarcação de terras indígenas e à FUNAI reflete um reconhecimento da importância dessas áreas para a identidade e sobrevivência dos povos originários. Em um País tão diversificado como o Brasil, é fundamental garantir que os direitos e a autonomia dos indígenas sejam respeitados, promovendo um desenvolvimento que considere a voz e as necessidades dessas comunidades.

Ao abordar as demarcações de terras indígenas de forma efetiva, o governo não apenas cumpre um dever legal, mas também reafirma seu compromisso com a justiça social e a proteção ambiental. A demarcação de terras indígenas, portanto, não é apenas uma questão de política, mas uma questão de respeito e dignidade para com as culturas que existem há milênios no Brasil.

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