Vacinação Butantan é um tema crítico no combate à dengue no Brasil. Nesta segunda-feira (8/6), o Ministério da Saúde anunciou a descontinuação temporária da atual estratégia de vacinação da Butantan-DV contra dengue. Essa decisão foi tomada para investigar eventos raros e inesperados associados ao uso da vacina, em conformidade com as diretrizes de segurança pública e saúde.
Um total de 42 casos foram identificados com sinais de alerta, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos. Dentre esses casos, três foram considerados graves, resultando em dois óbitos. A farmacovigilância, uma prática padrão adotada quando um novo imunizante é utilizado no Sistema Único de Saúde (SUS), foi responsável pela identificação desses eventos raros, que correspondem a apenas 0,008% de 500 mil doses aplicadas até o final de maio.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou a importância de agir com precaução. “Essa descontinuidade tem um objetivo. Em primeiro lugar, visa a proteção da vida e a ciência, especialmente em vacinação. Segundo, permite que as autoridades aprofundem a investigação dos casos, principalmente dos óbitos registrados.”
A estratégia de vacinação da vacina Butantan-DV tinha como alvo profissionais de saúde da Atenção Primária à Saúde, além de ter sido ampliada para a população de 15 a 49 anos de idade nas cidades de Botucatu/SP, Maranguape/CE e Nova Lima/MG, e também na região de Araguaína em Tocantins. A campanha foi iniciada em janeiro deste ano.
A vigilância ativa é um componente crucial em qualquer programa de vacinação. Os protocolos de farmacovigilância internacionais permitem monitorar os efeitos adversos potenciais após a introdução de uma vacina. A vacina Butantan-DV já havia passado por rigorosas avaliações antes de ser incorporada ao SUS, demonstrando sua segurança e eficácia.
A decisão de interromper temporariamente a vacina foi tomada em conjunto com o Comitê Interinstitucional de Farmacovigilância de Vacinas e outros Imunobiológicos (Cifavi), além da Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização (Ctai), que reúne representantes do Ministério da Saúde, da Anvisa e especialistas no assunto.
Importante frisar que a suspensão não invalida a eficácia da vacina. As evidências de proteção permanecem, e aqueles que já receberam a vacina continuam protegidos. A vigilância epidemiológica vai continuar a monitorar a saúde da população vacinada.
Para os indivíduos que já foram vacinados, é recomendável observar o estado de saúde por um período de 21 dias após a aplicação da vacina. Se surgirem sintomas como febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos ou outros sinais de alerta, é fundamental buscar atendimento médico imediato.
A partir desta decisão, as equipes de saúde também reforçarão a vigilância sobre pacientes vacinados que apresentem sintomas de dengue. Isso incluirá o reconhecimento de sinais de gravidade e a notificação eficaz de casos, acionando as autoridades locais de saúde e assegurando o atendimento clínico necessário.
Em relação ao combate à dengue, o Ministério da Saúde irá manter todas as outras medidas em execução. Isso inclui estratégias para a redução da circulação do vírus, prevenção de casos graves e diminuição das hospitalizações. Até o fim de maio, foi observada uma queda de 94% nos casos de dengue em comparação ao mesmo período do ano anterior, com 365 mil casos prováveis ao invés de 5,8 milhões registrados em 2024. A redução nos óbitos foi ainda mais acentuada, com 97% menos mortes em relação aos anos anteriores.
Entre as várias diretrizes do Ministério estão o fortalecimento da vigilância epidemiológica, monitoramento contínuo de casos suspeitos e confirmados, eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti e campanhas educacionais para a conscientização pública. O apoio técnico e financeiro para estados e municípios também é parte vital das iniciativas de controle.
Para garantir a segurança da população, o Ministério da Saúde segue fornecendo inseticidas, larvicidas e capacitação contínua para profissionais na identificação e manejo precoces de pacientes. O monitoramento laboratorial dos tipos circulantes do vírus da dengue também contribui para respostas mais eficientes a surtos em determinadas regiões.
A colaboração da população é indispensável no combate à dengue. A recomendação é eliminar qualquer recipiente que acumule água parada, manter caixas d’água bem fechadas e limpar áreas que possam ser criadouros do mosquito. É fundamental que os cidadãos colaborem com os agentes de saúde, permitindo o acesso quando necessário.