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Amazonas

Amazonas avança na preservação cultural com reconhecimento do ‘Gambá’ como Patrimônio Imaterial do Estado

29 de maio de 2026
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Gambá é uma expressão cultural rica e vibrante da Amazônia, que se destaca por sua celebração intensa que mistura batuques, cantigas, danças e ritmos religiosos. Recentemente, no dia 28 de maio, durante a 48ª Sessão Plenária Ordinária, o Conselho de Patrimônio Histórico e Artístico do Estado do Amazonas (Copham) decidiu, por unanimidade, reconhecer o Gambá como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Estado do Amazonas.

Essa decisão representa um marco significativo para a cultura amazonense, reforçando a importância das expressões culturais locais. O Gambá, que já era considerado uma parte essencial das tradições ribeirinhas do Amazonas, agora conta com a proteção e o reconhecimento do governo, permitindo que essa manifestação cultural seja valorizada e preservada para as futuras gerações.

O Copham, vinculado à Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, é responsável por decidir sobre o tombamento e o registro de bens patrimoniais, tanto materiais quanto imateriais. Essa sessão histórica foi realizada no Palacete Provincial e contou com a presença de mestres da cultura popular, pesquisadores e representantes de instituições ligadas à cultura. A entrega simbólica da certificação reafirma o compromisso estatal com a promoção e a valorização do Gambá.

O presidente do Copham, Caio André, ressaltou a relevância desse reconhecimento, que não apenas valida a cultura ancestral, mas também abre portas para novas iniciativas de preservação cultural no Amazonas. Ele destacou que esse é um passo que ainda pave caminho para outros reconhecimentos de manifestações culturais igualmente importantes na rica tapeçaria cultural da região.

Rafael Nascimento de Azevedo, relator da Câmara de Patrimônio Artístico e Imaterial do Copham, mencionou que o processo de reconhecimento do Gambá começou em 2011. Com o apoio de pesquisadores e da própria comunidade, o projeto ganhou força, refletindo a mobilização dos mestres e mestras das tradições culturais locais.

O Gambá não é apenas uma forma de entretenimento; ele é profundamente interligado à espiritualidade, oralidade, música e às prácticas sociais das comunidades que habitam as margens dos rios amazônicos. O documento emitido pelo Copham enfatiza essa relação indissociável, destacando a importância de preservar essas expressões culturais imateriais.

O ato de reconhecer o Gambá é, portanto, um avanço histórico não apenas para a política cultural do Amazonas, mas também para a valorização das manifestações que ocorrem fora da capital, que representam as matrizes indígenas, negras e caboclas da formação social da região.

Durante a votação, todos os conselheiros do Copham concordaram com a proposta, reafirmando o consenso sobre a importância do reconhecimento do Gambá. A partir desse ponto, imediatamente se dará início a uma série de ações para salvaguardar essa manifestação cultural. Isso inclui a realização de levantamentos audiovisuais e etnográficos, mapeamento dos grupos tradicionais e apoio à transmissão de saberes.

A resolução aprovada garante que o registro provisório do Gambá tenha efeito administrativo, promovendo medidas que atendem à valorização, promoção e proteção da manifestação cultural. Ruan Octávio, representante do Ministério da Cultura, ressaltou a importância do Gambá como um tesouro cultural que deve ser difundido amplamente, reconhecendo seu caráter de ancestralidade e riqueza cultural.

Mestres da cultura, como Ismael, do Ponto de Cultura Pavulagi, expressaram sua emoção durante a cerimônia, declarando que o reconhecimento do Gambá legitima uma tradição viva que é passada de geração em geração. Ele caracterizou o Gambá como muito mais do que uma performance; é uma representação da história, da vida e da identidade cultural do povo ribeirinho e caboclo do Amazonas.

A aprovação unânime do Copham faz do Gambá uma símbolo de resistência e continuidade cultural, reforçando a importância do legado histórico que essa expressão cultural carrega. Este marco é fundamental para garantir que as tradições que formam a essência da cultura amazônica sejam preservadas e respeitadas no futuro.

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