Tesouro registra crescimento histórico em emissões. Em abril de 2026, o Tesouro Nacional divulgou seu Relatório Mensal da Dívida Pública, revelando um cenário bastante positivo para a gestão da dívida do Brasil. O mês marcou um recorde histórico em emissões, com um total impressionante de R$ 229,96 bilhões em títulos emitidos. Este incremento expressivo demonstra a confiança dos investidores nacionais e internacionais na saúde financeira do país.
O aumento notável na captação foi impulsionado por fatores externos, como a melhora nas relações internacionais, com uma expectativa de acordo de cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã. A diminuição no nervosismo dos mercados globais beneficiou economias emergentes como a do Brasil. A percepção de risco recuou, resultando em uma queda nas taxas de juros, propiciando um ambiente favorável para as emissões do Tesouro.
De acordo com o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Helano Borges Dias, as emissões líquidas alcançaram R$ 83,95 bilhões, após resgates que totalizaram R$ 146,01 bilhões. A estrutura das emissões foi composta por 56,14% em títulos de taxa flutuante, 32,68% em títulos prefixados e 11,16% em títulos indexados à inflação. Durante períodos de alta volatilidade, os investidores tendem a buscar maior segurança, o que explica a preferência por títulos como as LFTs.
Outro destaque do mês foi a captação significativa no mercado europeu, onde o Brasil emitiu títulos em euros somando R$ 28,87 bilhões. Esta demanda dos investidores europeus superou três vezes o valor ofertado, demonstrando a crescente credibilidade do Brasil no exterior. Em mais de uma década, esta foi a primeira vez que o Tesouro Nacional emitiu nesse mercado, e os resultados foram animadores, com spreads baixos refletindo uma ótima percepção da saúde financeira brasileira.
No que diz respeito à dívida pública, o estoque total alcançou R$ 8,798 trilhões, um aumento de 1,91% em relação ao mês anterior. Esse crescimento se dá em meio à composição diversificada da dívida interna, onde títulos de taxa flutuante correspondem a 48,59%, seguidos pelos títulos indexados à inflação com 26,76%, e os prefixados com 20,85%.
O Tesouro também conseguiu fortalecer sua reserva de liquidez, que aumentou 23,28% em abril, atingindo R$ 1,091 trilhão. Este colchão financeiro é crucial para a gestão de compromissos sem a necessidade de novas emissões, permitindo ao governo atuar com mais liberdade, especialmente em momentos de incerteza no mercado.
No contexto do Tesouro Direto, o número de investidores ativos chegou a 3,47 milhões, um crescimento de 16,36% em relação ao mesmo período do ano anterior. As vendas neste programa totalizaram R$ 8,552 bilhões, enquanto os resgates somaram R$ 3,393 bilhões, resultando em um desempenho líquido positivo.
O programa de investimento, que visa democratizar o acesso a títulos públicos para pessoas físicas, acaba de lançar o novo produto, Tesouro Reserva. Este título apresenta vantagens como não sofrer variações de preço e render a Taxa Selic, funcionando 24 horas por dia. As vendas desse novo título já totalizaram R$ 1,1 bilhão, demonstrando a demanda real dos investidores.
Além disso, o relatório traz uma previsão para as emissões de maio, que até o momento somam cerca de R$ 144 bilhões. A expectativa é de que o cenário internacional continue a atuar como um vetor importante para o mercado, com os investidores tendendo a buscar mais títulos de taxa flutuante em tempos de incerteza.
Concluindo, o mês de abril foi um marco para o Tesouro, que não só registrou um volume histórico de emissões, mas também demonstrou a capacidade de adaptação e resiliência diante de desafios econômicos.