Inventário de Emissões é um tema crucial para a compreensão das dinâmicas ambientais no Amazonas. Os dados apresentados pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema/AM) revelam a pressão significativa que o uso da terra e as florestas exercem sobre as emissões atmosféricas. O Inventário Preliminar das Emissões Atmosféricas do Amazonas, que foi lançado recentemente, fornece um diagnóstico detalhado que abrange o período de 2018 a 2023.
Durante a 7ª Reunião Ordinária do Grupo Gestor Estadual do Amazonas (GGE/AM), realizada em Manaus, os representantes da Sema discutiram os dados coletados. Eles enfatizaram que as emissões associadas ao uso da terra, mudança do uso da terra e florestas (LULUCF) são responsáveis por impressionantes 89% das emissões líquidas do estado. Este número alarmante destaca não apenas a magnitude do problema, mas também a necessidade urgentíssima de estratégias eficazes de mitigação.
Os municípios que mais contribuem para essa situação incluem Lábrea, Apuí, Humaitá e Boca do Acre, que se destacam pelas suas emissões de dióxido de carbono equivalente. Embora a agropecuária corresponda a apenas 2,8% das emissões estaduais de gases de efeito estufa, a análise indica que essa porcentagem pode aumentar, especialmente nas regiões do Sul do Amazonas, onde a pecuária de corte já é preponderante.
O Inventário de Emissões também revela que as práticas agropecuárias são fontes significativas de emissões. Entre as principais atividades responsáveis por essas emissões estão a fermentação entérica de bovinos, o manejo de dejetos animais e o uso de solos agrícolas. A expansão do rebanho bovino está diretamente ligada à pressão sobre a cobertura florestal, o que enfatiza a necessidade de políticas públicas que promovam práticas sustentáveis e de baixo carbono.
A Sema também apresentou dados sobre os setores de energia e resíduos. O setor energético, que representa 6,5% das emissões, é impulsionado principalmente pela geração termelétrica a diesel e pelo intenso transporte rodoviário na Região Metropolitana de Manaus. O setor de resíduos, por sua vez, responde por 1,5% das emissões, sendo este segmento ligado ao tratamento de efluentes domésticos e à decomposição de resíduos sólidos urbanos.
O Plano ABC+/AM, que visa aumentar a resiliência das áreas rurais do Amazonas diante da mudança climática, propõe ações voltadas à recuperação de áreas degradadas e ao incentivo à adoção de tecnologias de baixa emissão de carbono. O secretário de Estado do Meio Ambiente, Eduardo Taveira, ressaltou a importância do plano ao afirmar que ele cria um caminho sólido para a conciliação entre produção rural, conservação e adaptação climática.
Finalmente, o Inventário de Emissões atua como uma ferramenta crucial para a integração e fortalecimento da Política Estadual de Emissões e Mudanças Climáticas (PEMC). Este estudo possibilita a avaliação das emissões de gases de efeito estufa, como CO₂, CH₄ e N₂O, ao longo do tempo e espaço no território amazonense. Com isso, torna-se possível planejar ações de controle, prevenção e mitigação mais eficazes, alinhadas às metas climáticas estabelecidas pelas autoridades competentes.
A realização desse seminário e a apresentação do Inventário de Emissões demonstram a importância da colaboração entre gestores públicos, técnicos e a comunidade rural. A criação de uma rede de informações, por meio do Sistema de Informação do Plano ABC+ (SIGABC+), é fundamental para fortalecer as políticas públicas voltadas à adaptação climática e à redução das emissões, criando assim um futuro mais sustentável para o Amazonas.