Transformando obras literárias em arte visual, um projeto inovador está sendo implementado nas escolas do Amazonas, com o apoio do Governo do Amazonas por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). O objetivo principal é aproximar os estudantes do Ensino Médio da leitura de clássicos da literatura brasileira, utilizando a arte como uma ponte para estimular o gosto pela leitura.
Localizada na zona leste de Manaus, a Escola Estadual Padre Luis Ruas recebe o projeto intitulado “Hermenêutica Visual? Transformando obras literárias em arte”. Essa iniciativa não só ativa o interesse dos jovens pela literatura, mas também fortalece suas habilidades de interpretação e pensamento crítico. O projeto incentiva os alunos a criarem e exporem cartazes artísticos inspirados em grandes obras literárias do Brasil.
A proposta começou como uma resposta à preocupação da comunidade escolar em relação ao desinteresse dos alunos pela leitura, especialmente quando se trata de clássicos que, muitas vezes, não atraem o público jovem devido à complexidade de linguagem ou à extensão das obras. A professora Carla Woany Rabelo Pereira, coordenadora do projeto, compartilha que há mais de três mil livros disponíveis na biblioteca da escola, mas que o espaço era pouco frequentado pelos alunos. “Isso nos levou a buscar uma forma de despertar a curiosidade e o desejo de aprender”, diz Carla.
A metodologia do projeto foi desenvolvida em 2024, norteada pelos debates sobre o uso excessivo de smartphones e seu impacto negativo no foco e desempenho escolar. Com isso, a equipe pedagógica selecionou três obras literárias específicas: “Triste Fim de Policarpo Quaresma” de Lima Barreto, “Eu” de Augusto dos Anjos e “Vidas Secas” de Graciliano Ramos. Estas obras serviram como base para a criação dos cartazes, permitindo que alunos bolsistas e voluntários experimentassem técnicas como colagem digital, edição de imagens e até mesmo inteligência artificial para manifestar suas interpretações.
As exposições dos cartazes ocorreram nos corredores da escola entre julho e novembro, transformando o ambiente escolar em um espaço de curiosidade e diálogo ativo. Em dezembro de 2025, os alunos tiveram a oportunidade de apresentar seus resultados à comunidade escolar em um evento especial. Este encontro não apenas celebrou as produções artísticas, mas também fomentou discussões profundas sobre as narrativas das obras e as diferentes leituras suscitas pelas interpretações visuais.
O apoio institucional da Fapeam foi crucial para o desenvolvimento desta iniciativa. A professora Carla Woany destaca que a Fundação não só fomentou o projeto, mas também ajudou na formação e desenvolvimento de sua carreira como professora pesquisadora. “O suporte da Fundação no projeto Hermenêutica Visual incentivou a todos os envolvidos a se tornarem pensadores em ciência, ampliando a visão sobre a importância de seu trabalho nas escolas”, afirma.
Com o encerramento oficial do projeto, os impactos continuam visíveis na escola. Atualmente, existem quatro clubes de estudo organizados pelos alunos, além de um mural que é atualizado quinzenalmente, contendo resenhas, críticas, poemas e cartazes literários gerados pelos próprios estudantes. Notavelmente, a escola também trabalha para incluir livros em braile, promovendo a inclusão e o acesso à literatura para alunos com deficiência visual.
O PCE, ou Programa Ciência na Escola, é uma iniciativa da Fapeam que visa apoiar a participação de professores e estudantes em projetos de pesquisa científica e inovação tecnológica, abrangendo desde o 5º ano do ensino fundamental até o 3º ano do ensino médio, incluindo modalidades como Educação de Jovens e Adultos e Educação Escolar Indígena.
Transformando obras literárias em arte visual, o projeto no Amazonas não apenas resgata o prazer pela leitura, mas também ensina aos jovens sobre a importância da cultura e do conhecimento, preparando-os para se tornarem cidadãos mais críticos e participativos.