Brasil destaca seu papel na Feira Industrial de Hanôver. Ao abrir o pavilhão brasileiro na Feira Industrial de Hanôver (Hannover Messe 2026), o presidente Lula enfatizou a importância de o Brasil assumir um papel de liderança na transição energética e se firmar como um parceiro estratégico da Europa em inovação, indústria limpa e desenvolvimento sustentável. Com a presença de autoridades brasileiras e alemãs, Lula trouxe à tona o desejo do país de ser tratado como um protagonista global, afirmando firmemente que o Brasil “cansou de ser pequeno” e está preparado para competir em qualquer feira do mundo com sua capacidade de aprender, compartilhar tecnologia e oferecer soluções energéticas limpas.
Lula destacou que o Brasil possui uma base intelectual sólida e empresas de renome, como a Petrobras e a Embraer, reconhecida como a terceira maior produtora de aviões do mundo. O discurso realçou a intenção do Brasil de colaborar com a Alemanha em toda a América do Sul e até buscar novos horizontes na África. Essa participação na maior feira de inovação e tecnologia industrial do mundo reforça a estratégia do Governo brasileiro de posicionar o país como um líder na agenda da economia verde, apresentando sua robusta matriz energética como um forte diferencial competitivo.
O Brasil se posiciona como uma potência mundial na transição energética, com Lula afirmando que cerca de 90% da matriz elétrica brasileira é composta por fontes renováveis, o que coloca o país em uma posição vantajosa frente a nações industrializadas. O presidente mencionou ainda o avanço na produção de biocombustíveis, ressaltando a mistura de 30% de etanol na gasolina e 15% de biodiesel no diesel, que reforçam a competitividade do Brasil em energia limpa.
Na defesa da competitividade brasileira na produção de energia limpa, Lula sugeriu uma comparação internacional das emissões de combustíveis usados em veículos pesados, especialmente caminhões. Essa proposta ilustra o potencial do Brasil em liderar soluções sustentáveis para o transporte de cargas, além de aumentar a competitividade industrial, minimizando o impacto ambiental. Ele argumentou que o combustível brasileiro já apresenta emissões inferiores quando comparado a combustíveis fósseis de outros mercados, o que é um sinal claro de que o Brasil está preparado para liderar nessa área.
Após a cerimônia de abertura do pavilhão, Lula pôde visitar estandes de empresas brasileiras renomadas, como WEG, BE8, Vale, Volkswagen Brasil, Embraer e Bayer Brasil. Durante a visita, foram apresentados dois caminhões movidos a biocombustível, incluindo um modelo da Mercedes-Benz abastecido com biodiesel “verde”.
A presença do Brasil em Hanôver vai além da simples exibição de produtos, com foco em aprofundar a cooperação tecnológica com a Alemanha e criar novas oportunidades industriais. Lula enfatizou que a missão principal é aprender com a indústria mundial e a capacidade tecnológica e produtiva do povo alemão. Além disso, o presidente declarou que o Brasil tem muito a mostrar em termos de capacidade produtiva e pode compartilhar conhecimentos em diversas áreas.
A parceria estratégica entre Brasil e Alemanha é vista como uma oportunidade promissora para impulsionar investimentos, inovação e práticas sustentáveis nas cadeias produtivas. Lula reforçou que o Brasil é um lugar cheio de oportunidades para investimentos e uma parceria sinóptica entre universidades e indústrias, com um intercâmbio eficiente de experiências científicas e tecnológicas que podem promover o progresso conjunto.
Encerrando seu discurso, Lula reafirmou a busca do Brasil por um novo papel no cenário econômico internacional e seu compromisso com a sustentabilidade. Ele acredita que a participação na feira é um símbolo da disposição do Brasil em avançar como uma economia industrial avançada e um líder em questões climáticas globais. “Após a participação do Brasil nesta feira, a relação entre Alemanha e Brasil nunca mais será a mesma”, finalizou.
O Brasil retorna como parceiro oficial da Feira Industrial de Hanôver após 46 anos, um evento que se tornou um marco de avanços tecnológicos e soluções em automatização, digitalização e eletrificação industrial com foco em sustentabilidade e energia limpa. A participação brasileira, coordenada pela ApexBrasil, envolve mais de 300 empresas, incluindo 60 startups e 140 expositores em seis pavilhões, solidificando a imagem do Brasil como um ator relevante no cenário industrial global.