Nordeste cria empregos formais de maneira significativa. Em fevereiro, a região registrou um saldo positivo de 11.629 novos postos de trabalho com carteira assinada, segundo os dados do Novo Caged, analisados pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). Esse resultado representa 4,55% do total de 255.321 empregos gerados em todo o Brasil durante o mesmo período.
No acumulado do ano, o Nordeste soma 20.720 empregos formais, que equivalem a 5,59% do total nacional, com uma média mensal de 10.360 novas vagas. Essa performance positiva reflete a resiliência do mercado de trabalho nordestino, que mostra capacidade de adaptação mesmo diante das dificuldades enfrentadas em setores essenciais da economia.
Analisando os resultados por estados, a Bahia se destaca na geração de empregos em fevereiro, com 6.890 novos postos, correspondendo a 59,25% do saldo total da região. O Ceará segue em segundo lugar, com 4.316 novos empregos, e Sergipe completa a lista com 2.394. Outros estados que também apresentaram crescimento foram Maranhão (2.041), Piauí (1.275) e Pernambuco (1.143). No entanto, Alagoas (-3.023), Rio Grande do Norte (-2.221) e Paraíba (-1.186) registraram perdas de empregos nesse período.
O desempenho setorial evidencia que os segmentos de Serviços e Construção foram fundamentais para o saldo positivo na geração de empregos formais no Nordeste. Juntos, esses setores contribuíram com a maior parte das novas vagas criadas na região. O setor de Serviços gerou impressionantes 16.837 empregos, enquanto a Construção contribuiu com 7.467.
Segundo o economista Miguel Vieira, da equipe da Sudene, o desempenho desses setores é estratégico para a manutenção do emprego formal no Nordeste. “Os setores de Serviços e Construção Civil ajudam a absorver o impacto causado por quedas em setores como Indústria, Agropecuária e Comércio na região”, destaca Miguel.
Entre os segmentos de Serviços, a atividade de Educação se destacou como o principal motor de geração de empregos, responsável por 45,69% das novas vagas nesse setor. As maiores concentrações dessas oportunidades foram na Bahia, Ceará e Pernambuco, que juntas somaram 65,53% do total de vagas criadas. “A Educação lidera o setor de Serviços com a criação de 7.691 novos postos de trabalho no Nordeste”, afirma Miguel Vieira.
Outro segmento relevante dentro de Serviços foi o de Atividades Administrativas e Serviços Complementares, que também registrou um saldo positivo, com 2.643 empregos gerados.
No setor da Construção, o crescimento foi amplo na maioria dos estados. Bahia (1.958), Pernambuco (1.836) e Ceará (1.425) se destacaram, concentrando 69,89% das novas vagas criadas nesse setor. Entretanto, o Rio Grande do Norte foi um dos poucos a apresentar saldo negativo, com uma perda de 92 empregos.
Embora a análise geral mostre um resultado positivo, alguns setores enfrentaram retrações significativas. O Comércio, por exemplo, viu um fechamento de 2.711 postos de trabalho, embora essa queda represente uma melhoria considerável em relação ao mês anterior, que registrou -10.124 vagas. Na Agropecuária, o saldo negativo foi de -4.321, com resultados positivos apenas na Bahia, Piauí e Maranhão.
A Indústria também apresentou desempenho negativo, com a perda de -5.639 empregos. Apenas os estados de Sergipe, Bahia, Ceará e Maranhão mostraram geração de vagas no setor, enquanto os demais estados vivenciaram perdas acentuadas.
Dessa forma, é notável que o Nordeste cria empregos formais, especialmente nos setores de Serviços e Construção, mesmo enfrentando desafios em outros segmentos. O avanço nos dados é um indicativo da força e potencial da região para continuar a solidificar seu mercado de trabalho.