Fome infantil é um tema gravíssimo no Brasil que afeta a saúde e o futuro das nossas crianças. Nos últimos anos, no entanto, o país tem mostrado sinais de progresso no combate à fome infantil. Em 2024, o Brasil registrou uma redução impressionante de quase 30% no número de crianças e adolescentes em situações de insegurança alimentar grave. Essa estatística é resultado de políticas públicas implementadas pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), que visam garantir a nutrição adequada para todos os cidadãos, especialmente os mais jovens.
O Dia Nacional da Saúde e Nutrição, celebrado em 31 de março, é uma data importante para refletir sobre os avanços na alimentação infantil. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) demonstram que, em 2024, apenas 3,6% das crianças e adolescentes de 0 a 17 anos viviam em domicílios com insegurança alimentar grave, um grande avanço em relação aos 4,8% registrados em 2023. Essa redução significativa se deve a uma combinação de esforços para melhorar o acesso à alimentação e ao monitoramento nutricional adequado.
Os dados revelam que, em 2023, aproximadamente 2,5 milhões de crianças enfrentavam insegurança alimentar grave. Esse número caiu para 1,8 milhão em 2024. Para compreender a importância desse progresso, é essencial destacar o papel fundamental que a supervisão nutricional na primeira infância desempenha. Em 2022, 6,2 milhões de crianças menores de cinco anos tiveram seu peso e altura monitorados na Atenção Primária à Saúde (APS). Este número deve aumentar para 7,9 milhões até 2025, indicando uma expansão significativa da cobertura dos serviços públicos.
As políticas alimentares, como o Benefício Primeira Infância do Bolsa Família, também têm um impacto direto na redução da fome infantil. Desde março de 2023, esse benefício garante um auxílio mensal aos responsáveis por aproximadamente 9 milhões de crianças de 0 a 6 anos, além de 15 milhões de crianças e adolescentes de 7 a 17 anos que recebem um valor adicional mensal por seus responsáveis.
Estudos realizados pela Secretaria Extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome (SECF) em 2025 mostram o impacto direto dessas iniciativas. Entre as crianças que apresentavam baixa estatura em 2019, 77% conseguiram alcançar a altura adequada em 2023. Da mesma forma, 64% das crianças que tinham magreza conseguiram alcançar um peso adequado, mostrando que as políticas de combate à fome infantil estão gerando resultados positivos.
Outro aspecto que merece destaque é a importância da alimentação escolar. Com o reajuste nos repasses do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) em fevereiro de 2026 e um aumento significativo nos últimos anos, atualmente 38 milhões de estudantes da rede pública são atendidos pelo programa. A ampliação dos recursos destinados à alimentação escolar tem um papel direto na saúde nutricional de crianças em idade escolar, contribuindo para baixos índices de insegurança alimentar.
Os dados evidenciam que entre as crianças que frequentam escola ou creche, apenas 8% apresentam insegurança alimentar moderada ou grave, em comparação com 16% entre aquelas que não frequentam. Essa diferença mostra a relevância da educação na mitigação da fome infantil e na promoção da saúde.
Em suma, a fome infantil no Brasil apresenta sinais de recuo significativo, evidenciando os efeitos de políticas públicas eficazes na promoção da saúde e no desenvolvimento das crianças. Valéria Burity, secretária extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome, afirma que “garantir renda, alimentação e acompanhamento de saúde faz toda a diferença” na vida das crianças, e essa trajetória continua a exigir nosso comprometimento e ação integrada para assegurar um futuro saudável e próspero. O combate à fome infantil deve ser uma prioridade constante, garantindo que todos os filhos da nação tenham acesso a uma alimentação adequada desde o início de suas vidas.