Chikungunya é um desafio significativo para a saúde pública, especialmente na região da Grande Dourados (MS). O Ministério da Saúde liberou, nesta sexta-feira (27), um aporte emergencial de R$ 900 mil para intensificar as ações de vigilância, assistência e controle da chikungunya na área. Este valor será transferido em parcela única do Fundo Nacional de Saúde ao fundo municipal, garantindo agilidade na execução das medidas necessárias para o enfrentamento da chikungunya.
Com esses recursos, o objetivo é fortalecer as estratégias de combate à chikungunya, como a vigilância em saúde, o controle do mosquito Aedes aegypti, e a qualificação da assistência prestada à população. A chikungunya é transmitida por esse mosquito e, por isso, o controle de sua população é vital para a prevenção da doença.
Além do montante liberado, o Ministério da Saúde também está implementando outras iniciativas para o combate à chikungunya, incluindo a instalação de mil Estações Disseminadoras de Larvicida (EDLs). Essas estações consistem em armadilhas que utilizam larvicida para exterminar os mosquitos. Ao entrar em contato com o larvicida, o mosquito ajuda a disseminar o produto em seus criadouros, rompendo o ciclo de reprodução e reduzindo a quantidade de novos casos de chikungunya.
Das 300 unidades enviadas inicialmente de Campo Grande (MS), 150 já foram instaladas em bairros como Jóquei Clube e em áreas vizinhas como Santa Felicidade e Santa Fé. Nas próximas etapas, as equipes focarão nos bairros Novo Horizonte/Parque do Lago e Piratininga, seguindo o plano de ação proposto para o controle da chikungunya.
A coordenadora-geral de Vigilância de Arboviroses do Ministério da Saúde, Lívia Vinhal, comenta que a liberação do montante é parte de uma estratégia maior para o controle vetorial. “Nosso foco é reorganizar fluxos, integrar informações e direcionar ações em campo. Embora as estações sejam uma ferramenta importante no combate à chikungunya, a erradicação dos criadouros depende da colaboração entre o poder público e a população,” afirmou.
Em adição, as ações também incluem uma busca ativa nos territórios indígenas de Dourados, que é realizada em conjunto pela Força Nacional do SUS (FN-SUS) e pela Secretaria de Saúde Indígena (Sesai). Essa iniciativa já proporcionou 106 atendimentos domiciliares nas aldeias Jaguapiru e Bororó, destacando a importância de ir até a população, em vez de esperar que os pacientes procurem os serviços de saúde.
“Em um território extenso como esse, não basta esperar que o paciente procure o serviço. A atuação integrada das equipes é essencial para alcançar quem mais precisa e evitar a evolução para casos graves. Por isso, o combate à chikungunya demanda um esforço conjunto,” enfatiza o diretor da Força Nacional do SUS, Rodrigo Stabeli.
Para facilitar e intensificar o gerenciamento das ações de cuidado contra a chikungunya, uma Sala de Situação foi instalada no Ministério da Saúde, servindo como um centro de coordenação para as iniciativas federais. Essa estrutura será transferida para o território, garantindo uma melhor colaboração entre técnicos, gestores estaduais e municipais, e outros órgãos públicos, fortalecendo a tomada de decisão em relação às estratégias de combate à chikungunya.
Desde o início de março, os agentes de saúde e de combate às endemias já visitaram mais de 2,2 mil residências nas aldeias afetadas. As ações incluem mutirões de limpeza, eliminação de possíveis criadouros do mosquito, aplicação de larvicidas e inseticidas. Além disso, uma unidade móvel da Ebserh está presente para garantir assistência imediata à população indígena, ajudando a prevenir a disseminação da chikungunya.
Como um suporte adicional, o Ministério da Saúde autorizou, em caráter emergencial, a contratação temporária de 20 Agentes de Combate a Endemias (ACE), em parceria com a AgSUS, para ampliar a força de trabalho. Os novos agentes devem começar a atuar nas próximas semanas, reforçando o esforço no combate à chikungunya.
Desde 18 de março, a FN-SUS já está mobilizada no município, com 34 profissionais, incluindo médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem atuando nas áreas mais atingidas. Com uma abordagem integrada, as equipes das Secretarias de Saúde Indígena (Sesai) e de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA) do Ministério da Saúde, junto com o apoio da Defesa Civil estadual, da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) e da Força Nacional do SUS, estão unindo forças para combater a chikungunya e garantir a saúde da população.