Ribeirinhos do Marajó contratam um total de R$ 82,43 milhões em operações de Microcrédito Produtivo Orientado (MPO) em 2025. Essa quantia foi direcionada para fortalecer as economias de comunidades ribeirinhas que habitam o Arquipélago do Marajó, localizado no estado do Pará. Os dezoito municípios que compõem essa região apresentaram mais de 2 mil contratações de microcrédito, utilizando recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO).
Os dados sobre as contratações de microcrédito foram revelados durante a 33ª reunião do Conselho Deliberativo da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Condel/Sudam), realizada no auditório da autarquia, em Belém, PA. Essa reunião focou nas atividades que estão sendo implementadas por meio do Plano Regional de Desenvolvimento da Amazônia (PRDA) 2024/2027, visando promover um desenvolvimento sustentável e coordenado entre 20 ministérios para atingir 656 metas de intervenção na Amazônia Legal durante os próximos três anos.
No contexto mais específico, o Plano Integrado para o Desenvolvimento Sustentável do Arquipélago do Marajó e Bailique trouxe dados significativos sobre as contratações de microcrédito. Até 2023, o montante disponível para esse tipo de financiamento rural em ambas as regiões era de R$ 20 milhões. Com as iniciativas do ano passado, esse valor saltou para R$ 100 milhões, e para 2026, o orçamento previsto deverá ser ainda mais significativo, alcançando R$ 120 milhões. Esses recursos são parte de um amplo planejamento que também contempla outras quatro áreas, incluindo terras indígenas em Roraima e o Vale do Juruá no Acre, cada uma recebendo investimentos equivalentes de R$ 120 milhões.
A diretora de Planejamento e Articulação de Políticas, Jorgiene dos Santos Oliveira, comentou sobre o incremento na oferta de microcrédito, indicando que isso representa uma consolidada ação do PRDA 2024/2027, que promove articulação entre diferentes esferas de governo, além de integrar instrumentos orçamentários para fortalecer planos sub-regionais. “Esta é a primeira vez que os projetos do PRDA estão associados ao Novo PAC, o que é um grande avanço para criarmos novos planos sub-regionais”, destacou.
O superintendente da Sudam, Paulo Rocha, também ressaltou a relevância do Plano do Marajó e Bailique, que foi planejado com foco no fomento à piscicultura, florestas produtivas e na bacia leiteira, especialmente em relação à produção de queijos. “Queremos implementar laboratórios de alevinos e fábricas de ração. Para isso, estamos colaborando com o Sebrae, envolvendo médias e pequenas empresas, além de atrair frigoríficos e indústrias para a região. Vamos alavancar a produção de açaí e também queremos trazer o cacau, a castanha e o bacuri para o mercado. Além disso, estamos incentivando a produção de leite e o tradicional queijo do Marajó para expandir para o mercado internacional”, enumerou.
Para garantir a transparência e a responsabilização, um material de prestação de contas está sendo elaborado com os indicadores das ações realizado no âmbito do PRDA. O secretário executivo do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), Valder Ribeiro, enfatizou os resultados da atual gestão no Norte, destacando o crescimento do microcrédito. “Para 2026, temos R$ 1,2 bilhão destinado a ribeirinhos, extrativistas, pescadores e assentados, um avanço significativo em comparação aos R$ 445 milhões de 2025”, afirmou.
Entre os avanços mencionados, Ribeiro lembrou que no ano passado, o Condel/Sudam aprovou um investimento de R$ 1,7 bilhão no Linhão Manaus-Boa Vista, garantindo que Roraima fosse integrado ao Sistema Interligado Nacional (SIN). Também foi aprovada uma resolução que destina 1,5% dos recursos de reinvestimento do financiamento do Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA) a iniciativas de pesquisa, inovação e tecnologia voltadas para a região, com a possibilidade de criação de um comitê específico para a distribuição desses recursos nas universidades e instituições amazônicas.