Mulheres na ciência ocupam um espaço fundamental em nosso avanço tecnológico e social. Durante uma entrevista ao programa ‘Bom Dia, Ministra’ em 11 de março, a Ministra Luciana Santos, responsável pela Ciência, Tecnologia e Inovação, enfatizou a importância de fortalecer políticas de empoderamento de meninas e mulheres nas áreas científicas, uma ação crucial em um cenário onde a presença feminina ainda enfrenta desafios.
O cenário é de avanço, com as mulheres já constituindo a maioria nas universidades e em programas de mestrado e doutorado. Porém, mesmo com a predominância na educação superior, ainda enfrentamos barreiras significativas que limitam o crescimento profissional das mulheres na carreira científica, especialmente em campos como engenharia e ciências exatas. Luciana destacou os dados alarmantes sobre a disparidade salarial: “Na ciência, as mulheres recebem 36,7% a menos em comparação aos seus colegas homens”, ressaltou ela.
Com o intuito de combater essas desigualdades, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) lançou a Política de Empoderamento de Meninas e Mulheres na Ciência, Tecnologia e Inovação. Essa política ambiciona criar um ambiente igualitário, reunindo diversas ações voltadas para garantir que mulheres tenham as mesmas oportunidades que os homens no campo científico. O foco é aumentar o acesso e garantir que as mulheres permaneçam nessas áreas, além de estimular sua presença em pesquisas e inovações.
“A visibilidade é o que inspira meninas a percorrerem carreiras científicas”, enfatizou Luciana. Essa afirmação resume a importância da representação feminina nas ciências, que serve como farol para as próximas gerações de mulheres.
Inclusão racial é outro componente vital para o empoderamento na ciência. O MCTI implementou um edital de mestrado-sanduíche no exterior exclusivamente para mulheres negras, indígenas e quilombolas, no projeto denominado ‘Atlânticas – Beatriz Nascimento’. Com 90 bolsas disponíveis, essa ação visa proporcionar oportunidades de pesquisa e especialização no exterior para esses grupos historicamente marginalizados. A ministra também anunciou um novo edital que destina recursos financeiros para apoiar a trajetória acadêmica dessas pesquisadoras.
O programa ‘Futuras Cientistas’ é uma iniciativa excelente que promove a ciência entre meninas no ensino médio. Por meio de experiências práticas em laboratórios, busca-se cultivar o interesse delas nas áreas científicas e tecnológicas. Resultados animadores mostram que 80% das participantes passam no Enem, com 70% seguindo para áreas de ciência e tecnologia.
Além de promover carreiras para mulheres, a ministra também abordou adaptações nas normas do CNPq que consideram o impacto da maternidade na trajetória das cientistas. Essa mudança busca oferecer conforto a mulheres que combinam a maternidade com suas carreiras científicas.
Os investimentos em ciência e tecnologia são essenciais e têm sido uma prioridade do governo. Luciana destacou a importância de grandes infraestruturas científicas, como o acelerador de partículas Sirius e o Laboratório Orion, que possibilitarão avanços na pesquisa e na capacidade do Brasil em enfrentar desafios globais, incluindo novas pandemias.
Os recursos destinados ao setor de Ciência, Tecnologia e Inovação aumentaram significativamente de 2023 a 2025, alcançando R$ 49,3 bilhões, quase o dobro do que foi investido entre 2019 e 2022. Essa injeção de recursos é crucial para a manutenção de programas estratégicos e para a infraestrutura de pesquisa.
A ministra também comentou sobre o sistema de monitoramento de desastres naturais, que permite produzir dados e alertas anticipados para auxiliar na Defesa Civil, abrangendo um número crescente de municípios.
Outro ponto importante abordado foi a repatriação de talentos, com o MCTI buscando atrair de volta cientistas brasileiros que atuaram no exterior. Com um programa financiado pelo FNDCT, cerca de 2,5 mil pesquisadores já foram atraídos.
Por fim, Luciana destacou o impacto direto dos investimentos em Ciência e Tecnologia na saúde da população, com exemplificações como o desenvolvimento de vacinas brasileiras contra a Covid-19 e a dengue. “Os investimentos em ciência são fundamentais para fortalecer a autonomia do Brasil”, finalizou.
Assim, políticas públicas que promovam empoderamento feminino e otimizem a participação de mulheres na ciência se tornam indispensáveis, não apenas para alcançar a igualdade de gênero, mas também para garantir um futuro mais inovador e sustentável.