Lei Paulo Gustavo é a força motriz por trás da animação cearense A Lenda de Keya. Este filme não apenas marca a estreia de um longa-metragem de animação do Ceará, mas também aborda temas profundos como o pertencimento indígena. A produção é pioneira ao incorporar diálogos em tupi, trazendo uma nova dimensão à narrativa brasileira. Ao longo de sua realização, a Lei Paulo Gustavo (LPG) provou ser essencial, fornecendo os recursos necessários para que essa história viesse à vida.
A Lenda de Keya, com previsão de lançamento em 2023, é mais do que um simples filme; é um convite à reflexão sobre nossas identidades e conexões com os povos originários. O novo longa é protagonizado por Ana, uma jovem que, enfrentando a dura realidade de não ser adotada, embarca em uma emocionante jornada em busca de sua tartaruga que foi levada por uma ONG. Em sua aventura, ela é acompanhada por Iacatan, um personagem interpretado pelo renomado ator Silvero Pereira, figura já conhecida por seu papel em Bacurau.
O impacto da Lei Paulo Gustavo é inegável. Segundo o diretor Claudio Martins, os recursos financeiros possibilitados pela LPG foram fundamentais para a criação de A Lenda de Keya, que empregou uma equipe diversa e talentosa de artistas cearenses. “Os recursos de R$ 1,4 milhão nos permitiram desenvolver uma animação rica em conteúdo e significado”, destaca Claudio. Este apoio é vital para o crescimento do setor audiovisual no Brasil, especialmente para projetos que buscam trazer à luz a cultura indígena.
Desde o seu surgimento na pandemia em 2020, a ideia por trás de A Lenda de Keya foi inspirada pelas raízes e pela ancestralidade. O diretor Claudio Martins vivenciou um processo pessoal de descoberta ao se conectar com sua avó, que tinha ascendência indígena. Isso o levou a investigar mais sobre o pertencimento e a identidade, temas que são centrais no enredo do filme. “Queremos que as crianças entendam a importância de suas raízes e que a cultura indígena faz parte da nossa história coletiva”, afirmou Claudio.
A produção também contou com consultoria de especialistas em cultura indígena, incluindo o autor e ativista Daniel Munduruku, que contribuiu para garantir que a representação dos povos indígenas fosse feita com a devida autenticidade e respeito. Durante o desenvolvimento do roteiro e dos símbolos visuais, a equipe buscou inspiração em narrativas ancestrais, trazendo artistas da etnia Pitaguary para colaborar na criação dos grafismos.
Um desafio significativo foi a tradução de diálogos em português para tupi. O professor Tom Finbow, especialista na língua, orientou a equipe para que os diálogos respeitassem as nuances culturais. “Traduzir para o tupi é uma tarefa complexa, pois a estrutura da língua e os contextos culturais diferem bastante do que usamos no português. Isso torna o trabalho mais rico e profundo”, explica Martins.
A Lenda de Keya representa a importância da Lei Paulo Gustavo não apenas como um mecanismo de financiamento, mas também como uma ferramenta de empoderamento cultural para as vozes indígenas e para a produção audiovisual brasileira. Silvero Pereira ressalta a relevância da LPG em sua trajetória cinematográfica, afirmando que tanto este filme quanto outros em que participou foram possíveis devido aos incentivos proporcionados pela Lei. “A LPG está moldando o futuro das produções audiovisuais no Brasil, e A Lenda de Keya é um testemunho disso”, conclui o ator.
Em suma, a Lei Paulo Gustavo não apenas financia, mas também impulsiona a criatividade e a diversidade nas artes, permitindo que histórias como A Lenda de Keya sejam contadas com respeito e autenticidade. O filme não só promete ser um marco na animação cearense, mas uma linda celebração da cultura indígena e da identidade brasileira. À medida que o lançamento se aproxima, a expectativa cresce, trazendo esperança e reconhecimento para os talentos locais e para as narrativas que edificam nosso entendimento como sociedade.