Leilões de ferrovias são essenciais para a modernização da infraestrutura do Brasil. O ministro dos Transportes, George Santoro, anunciou na última terça-feira (9/6) a Política Nacional de Concessões Ferroviárias, que prevê diversos leilões em estados-chave como Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo, Bahia, Mato Grosso, Ceará e Pernambuco. Este plano visa revitalizar as ferrovias no país, que sofreram um longo ciclo de desinvestimentos.
George Santoro salientou que, sem a intervenção do Estado, é difícil inverter o cenário histórico de abandono das ferrovias no Brasil. Durante a apresentação, ele destacou que, em seus melhores tempos, o Brasil possuía 35 mil quilômetros de ferrovias e que a construção durante o Império superou a da República. Atualmente, apenas cerca de 10 mil quilômetros permanecem operacionais. Essa realidade exige que o governo atue decisivamente para recuperar e expandir a malha ferroviária.
Segundo o ministro, a retomada das obras ferroviárias gera um ambiente de confiança que incentiva o investimento privado. Ele fez referência ao fato de que, em comparação, o custo de transporte de cargas do Mato Grosso para Santos não pode ser mais elevado do que o custo de Santos a Xangai. A meta é que as ferrovias voltem a ser uma opção logística competitiva e acessível.
Os leilões de ferrovias, que devem acontecer em 2026, representam um dos maiores ciclos de investimento do setor na última década, com cerca de R$ 160 bilhões comprometidos. Este investimento é parte de um esforço mais amplo para aumentar a participação do modal ferroviário na logística brasileira de 17,7% para 34,6% até 2035, conforme as diretrizes do Plano Nacional de Logística (PNL 2035).
George Santoro também enfatizou que a Política Nacional de Concessões Ferroviárias foi pioneira na história do Brasil. A regulação do setor foi aprimorada, reconhecendo que o setor privado não pode operar de maneira isolada nas ferrovias. Um suporte estatal é crucial para o desenvolvimento de Projetos de Ferrovias significativos. Santoro explica que a participação do governo é uma norma em todo o mundo, e o Brasil agora avança para se alinhar a esse modelo.
No âmbito dos leilões de ferrovias, o tempo é um fator crítico. Santoro revelou que o novo modelo de concessão inteligente simplifica o processo burocrático, permitindo que os projetos sejam concluídos mais rapidamente. Essa abordagem ágil possibilitou a elaboração de projetos em um tempo recorde de um ano, permitindo que investimentos sejam feitos rapidamente em ferrovias que hoje estão subutilizadas ou em mau estado.
Um dos projetos centrais é a Ferrovia Transnordestina, que irá conectar o Porto de Pecém (CE) ao Porto de Suape (PE) e ao Piauí. O governo está empenhado em acelerar sua conclusão, destacando marcos significativos, como a instalação de 1.700 metros de trilhos em um dia, um recorde. A previsão é concluir mais de 200 quilômetros de trilhos neste ano, representando uma revolução no setor ferroviário nordestino.
Além disso, com a crescente demanda por exportação, o ministro reiterou a necessidade de fortalecer a logística do Brasil. A produção agrícola do país cresceu drasticamente, passando de 5 milhões de toneladas de alimentos exportados há 30 anos para 240 milhões de toneladas atualmente. A expectativa é que, em dez anos, o Brasil chegue à segunda posição global em volume de carga exportada, o que demanda investimentos robustos em ferrovias e rodovias.
Adicionalmente, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está prestes a lançar uma linha de investimento focada em ferrovias. Isso deverá atrair investidores europeus e chineses para o setor, oferecendo condições financeiras favoráveis e prazos de pagamento amplos, o que pode impulsionar ainda mais o desenvolvimento ferroviário no Brasil.
Por todas estas razões, os leilões de ferrovias se mostram uma oportunidade crucial para revitalizar não apenas a infraestrutura ferroviária, mas também a economia como um todo, preparando o Brasil para um futuro logístico mais eficiente e sustentável.