O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, participou nesta quarta-feira, 3 de junho, em Brasília, da cerimônia de formalização de R$ 800 milhões em contratos de crédito do programa Caixa Hospitais FGTS, voltado ao fortalecimento financeiro de hospitais filantrópicos e entidades sem fins lucrativos que atendem de forma complementar ao Sistema Único de Saúde (SUS).
A agenda marcou a assinatura de operações para 8 instituições hospitalares em 7 estados, com impacto direto na manutenção e ampliação dos serviços prestados à população. Também participaram da cerimônia o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e o presidente da Caixa, Carlos Vieira.
Estamos dando saúde financeira para as instituições poderem continuar e crescer. Há um problema de financiamento. O que estamos fazendo é baixar juros, de mais de 20% para 11%, e prolongar a dívida. Com isso, reduz o pagamento mensal e dá fôlego para as instituições”, afirmou o vice-presidente.
O programa é uma linha de crédito estruturante, financiada com recursos do FGTS ( Fundo de Garantia do Tempo de Serviço ), com prazo ampliado e custo competitivo. A iniciativa apoia hospitais que prestam serviços essenciais ao SUS, especialmente em áreas de média e alta complexidade, como oncologia, cardiologia, neurologia, transplantes e formação de profissionais de saúde.
Na edição 2026, o CAIXA Hospitais FGTS tem até R$ 8,5 bilhões em crédito disponível. Podem acessar os recursos entidades com adesão ao programa Agora Tem Especialistas (ATE), do Ministério da Saúde. Atualmente, 108 entidades estão em negociação, com volume potencial de contratação de aproximadamente R$ 4,5 bilhões.
Ao discursar, Alckmin destacou o papel dos hospitais filantrópicos na rede pública de saúde: “Nós estamos frente a instituições exemplares. Mais da metade dos leitos hospitalares do Brasil são hospitais filantrópicos. Não tem fim lucrativo. É sociedade civil organizada, trabalho voluntário da sua direção. São milhares de pessoas no Brasil inteiro se dedicando com dificuldade.”
Oito hospitais de referência
Entre as instituições contempladas estão hospitais com atuação estratégica no atendimento de média e alta complexidade pelo SUS. A Santa Casa de São Paulo receberá R$ 303 milhões para reestruturação financeira. A instituição conta com 938 leitos em três unidades na Grande São Paulo e atua no atendimento médico, hospitalar e ambulatorial, além da formação de profissionais de saúde.
A Santa Casa de Porto Alegre terá R$ 220 milhões em crédito. Em 2025, a instituição realizou 1,66 milhão de atendimentos, dos quais 62,44% pelo SUS, com especialidades como cardiologia, cirurgia cardiovascular, neurologia, neurocirurgia, oncologia e transplantes de órgãos e tecidos.
Na Bahia, a Fundação José Silveira , em Salvador, receberá R$ 111 milhões. A instituição realiza mais de 2,7 milhões de atendimentos por ano, predominantemente pelo SUS, e é referência internacional em tuberculose. No Paraná, o Instituto de Câncer de Londrina terá R$ 53 milhões para reestruturação do passivo financeiro. Referência nacional em oncologia, o instituto atende mais de 900 mil pessoas por ano, abrangendo mais de 160 municípios.
Também serão beneficiadas a Associação Hospitalar Vila Nova , de Porto Alegre, com R$ 49 milhões; a Sociedade Portuguesa de Beneficência de Campos dos Goytacazes , no Rio de Janeiro, com R$ 27,6 milhões; a Associação de Combate ao Câncer em Goiás , em Goiânia, com R$ 15 milhões; e a Fundação Assistencial da Paraíba , em Campina Grande, com R$ 12 milhões.
O crédito poderá ser usado para reestruturação financeira, alongamento de passivos, capital de giro e fortalecimento operacional das instituições. Com isso, a medida contribui para dar previsibilidade à gestão hospitalar e preservar a continuidade de consultas, exames, internações e procedimentos especializados na rede pública.